Falta de gás na Argentina afeta fornecimento da Dow no Brasil
18/06/2007

A falta de gás natural na Argentina está afetando as operações regionais da Dow Chemical, a fabricante americana de resinas termoplásticas.

Em conseqüência disso, a empresa teve de suspender ou reduzir a operação de suas quatro unidades industriais no pólo petroquímico de Bahia Blanca, ao Sul de Buenos Aires. Uma das unidades teve suas atividades paralisadas porque a empresa decidiu antecipar uma parada programada de manutenção, que aconteceria mais tarde.

A falta de gás reduziu em 6% a produção da companhia nos últimos dias de maio, afetando o suprimento de resinas embarcadas neste mês não só para o mercado argentino como também para os clientes no Brasil.

Trata-se do primeiro caso conhecido de uma empresa com atuação na Argentina e forte relação comercial com o Brasil que é afetada pela falta de gás natural, naquilo que os argentinos já estão chamando de apagão energético e que voltou a acontecer no fim de semana.

Foi o inverno mais frio dos últimos 50 anos no país, com temperaturas de até três graus negativos, afirma o diretor comercial de plásticos da Dow para América Latina, Diego Donoso. Com isso, o governo da Argentina reduziu a oferta de gás natural para a indústria para atender a rede domiciliar.

Em carta enviada aos clientes transformadores de resinas em produtos plásticos no país, a qual o Valor teve acesso, a Dow Brasil afirmou que os estoques de produtos acabados foram significativamente reduzidos, razão pela qual o fornecimento normal dos produtos poderá ser afetado a curto prazo.

A companhia é a principal importadora de resinas termoplásticas no Brasil. A falta de gás afetou a produção da companhia por três dias no fim de maio. Previsões meteorológicas indicam que o inverno na Argentina será um dos mais rigorosos dos últimos anos.

O diretor da Dow explica que o impacto provocado pelo frio foi tão exagerado que afetou o planejamento preventivo de estoques montado pela empresa para este período. Ele diz que o fornecimento de resinas está sendo normalizado com as importações oriundas de cinco unidades da Dow localizadas na Europa e Estados Unidos. A empresa não fez estimativas dos prejuízos. Não tivemos perda de clientes, diz Donoso.

Ele não acredita que o impacto provocado com a queda nos estoques irá estimular um aumento nos preços do produto no mercado brasileiro. Não são perdas exageradas para mudar o balanço entre oferta e demanda, avalia Donoso.

A Dow controla as principais unidades do pólo petroquímico argentino desde a metade dos anos 90 quando adquiriu os ativos de Bahia Blanca durante a privatização realizada durante o governo de Carlos Menem. Hoje, opera quatro unidades industriais que produzem polietileno cuja capacidade chega a 650 mil toneladas de resinas por ano. Segundo especialistas, quase um terço desta produção é destinada à indústria do plástico brasileira, principalmente os fabricantes de filmes flexíveis - usados em embalagens de alimentos - de Santa Catarina. A Dow possui um centro de distribuição em Itajaí.

A empresa chegou a anunciar no fim do ano passado sua intenção de aprofundar os estudos para elevar sua produção local, dobrando sua capacidade para 1,2 milhão de toneladas por ano. Os estudos continuam, diz Donoso.

O projeto é considerado crucial para evitar uma escassez no fornecimento local de matéria-prima até o fim da década para a indústria de plástico da Argentina. O investimento é estimado em cerca de US$ 400 milhões.

No entanto, a fabricante americana está em busca de novas fontes seguras de abastecimento de gás para garantir o suprimento de um eventual aumento de capacidade. A perda de confiança de investidores nas regras estabelecidas pelo governo argentino para o setor tem impedido, de um modo geral, novos projetos de exploração de reservas de gás natural.

Nos últimos tempos, a Dow tem focado seus investimentos no Oriente Médio onde existem abundantes reservas de matérias-primas para uso químico e plástico. No mês passado, a empresa firmou acordo de entendimento para formação de uma joint-venture com a Saudi Aramco, gigante mundial de petróleo, com o objetivo de construir um enorme complexo industrial na Arábia Saudita. No ano passado, as vendas globais da Dow Chemical foram de US$ 49 bilhões. (Fonte: Empresas & Tecnologias)