Receita da Braskem sobe 12% em março e abril
04/06/2007

José Carlos Grubisich, o presidente da petroquímica brasileira Braskem, anda de olho em suas planilhas financeiras. Depois de registrar um crescimento tímido nas vendas das suas resinas plásticas no primeiro bimestre deste ano, sazonalmente mais fraco, a companhia tem observado aumento de até 12% nos negócios em março e também em abril, comparado com os números do ano passado. Em maio, a atividade também esteve aquecida.

Se a maior petroquímica da América Latina registra substancial incremento nos seus negócios, é sinal de que o Produto Interno Bruto (PIB) do país também dará sinais de alta. "O nosso setor tem uma elasticidade em relação ao PIB de até três vezes", afirma o executivo. Sendo assim, é natural esperar que a economia brasileira também suba algo como 4% no primeiro trimestre deste ano.

O incremento dos negócios é tão vigoroso que a companhia tem normalmente ultrapassado os 90% de uso de sua capacidade instalada nos últimos tempos. Utilizadas para fazer desde uma sacola plástica de supermercado até componentes de automóveis, as resinas principais da Braskem são o polietileno e o polipropileno. E é justamente esta última que tem tido crescimento mais vigoroso, alcançando até 99% de uso da capacidade.

O aumento das vendas tanto do polietileno, como do polipropileno, contudo, não se restringe ao mercado interno. A petroquímica também observa aumento das suas exportações no período. O executivo da Braskem imagina que deverá fechar o ano com vendas para o exterior perto dos US$ 2 bilhões. E isso mesmo diante de uma valorização do real. "No curto prazo, esse fator não afeta a companhia porque o preço da nafta, que responde por 80% dos nossos custos variáveis, também é cotado em dólar", conta Grubisich.

Boa parte da nafta adquirida pela Braskem vem do exterior. Com a alta do petróleo, a matéria-prima tem batido recordes de preços. Chegou a ter sua tonelada cotada a US$ 700, valor inédito. "Mas, como a demanda por resinas está alta e as fabricantes mundiais operam com capacidade superior a 90%, esse impacto está sendo absorvido", diz Grubisich, que trabalha com um dólar no fim do ano a R$ 1,90.

A Braskem espera alcançar este ano um faturamento consolidado de R$ 22 bilhões, fortalecendo sua posição de maior empresa do setor no Brasil e na América Latina. O valor inclui o desempenho da Copesul e da Ipiranga Petroquímica, empresas adquiridas em março do grupo Ipiranga, em uma operação em que o Ultra assume os ativos e depois os repassa para a Braskem e para a Petrobras. Segundo Grubisich, os desempenhos financeiros das duas companhias passarão a ser consolidados já no segundo trimestre e algumas áreas de gestão, como a de compras, já começam a trabalhar de forma integrada.

Apesar de não comentar sobre os futuros movimentos da companhia, Grubisich assegura que as resinas de foco da Braskem são o polietileno, o polipropileno, além das operações de PVC. O presidente da petroquímica admite que produzir borracha sintética não faz parte do cotidiano da empresa, o que reitera a disposição dos controladores da Petroflex de negociar o ativo.

A Petroflex é a maior fabricante de borracha sintética da América Latina. E, além da Braskem, é controlada pela Unipar e pela Suzano. Juntos, os três detêm 50,3% do capital total e ordinário da empresa.

A saída da Braskem da Petroflex não significa que a companhia fará novos movimentos. Grubisich, na verdade, crê que novidades deverão partir de outros participantes do setor petroquímico. Mesmo evitando falar sobre o assunto, o executivo avalia que existe espaço para mais um grupo no setor, que integre central de matérias-primas e fabricantes de resinas. (Fonte: Valor Econômico)