Petrobras será majoritária na central do pólo do Rio
31/05/2007

A Petrobras deverá ter participação dominante na composição societária da refinaria petroquímica que será a central de matérias-primas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A informação é do diretor da área de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, responsável pela área petroquímica da estatal. O projeto está previsto para entrar em operação a partir de 2012 e é orçado em US$ 8,4 bilhões. Costa não disse qual deverá ser a fatia da Petrobras na refinaria. "Acima de 50% já é maioria", desconversou.

A refinaria é a parte mais importante do complexo e, sozinha, está avaliada em cerca de US$ 3,5 bilhões. A informação de Costa significa que a Petrobras desistiu de vez de fazer do Comperj um pólo totalmente integrado, com os mesmos acionistas sendo donos da primeira e da segunda geração de produtos petroquímicos. A refinaria vai produzir 1,3 milhão de toneladas anuais de eteno, o insumo petroquímico básico, e outros produtos a partir do processamento diário de 150 mil barris de óleo pesado do campo de Marlim, situado na bacia de Campos (RJ).

Costa diz que a Petrobras pretende ter como sócio na refinaria, além do BNDES, já comprometido a entrar no projeto como financiador e acionista, pelo menos um sócio privado. Originalmente, esse sócio seria o grupo Ultra, mas até agora o conglomerado não oficializou sua parte no Comperj.

Segundo analistas, a recente entrada do Ultra no ramo da distribuição de combustíveis, com a compra da Petróleo Ipiranga reforça a perspectiva de que ele venha a participar do controle da refinaria, tornando-se dessa forma um produtor dos combustíveis que serão produzidos na unidade, paralelamente aos produtos petroquímicos. O problema seria o alto investimento necessário, algo que se torna mais palatável com a Petrobras assumindo sozinha a maior parte do investimento.

Para a segunda geração, a proposta da Petrobras é aproveitar a formação das sociedades no complexo para resolver o problema da reestruturação global do pólo petroquímico da região Sudeste. Essa é a lacuna ainda existente no processo de consolidação da petroquímica brasileira, uma vez que os pólos do Sul (Triunfo-RS) e do Nordeste (Camaçari-BA) já foram consolidados sob a liderança da Braskem (grupo Odebrecht).

O principal obstáculo ao preenchimento da lacuna é a disputa entre os grupos Unipar e Suzano pela liderança do pólo na área privada. O Unipar manifestou interesse em pagar US$ 300 milhões pelo controle da Suzano Petroquímica, que segundo fontes do mercado foi considerado irrisório. Embora o Unipar tenha negado a proposta, continua em aberto a possibilidade de uma incorporação, por qualquer uma das partes, enquanto seguem as negociações na busca de uma forma de associação.

Costa disse que a Petrobras pretende encontrar uma solução no prazo de seis meses. Na avaliação de uma das partes interessadas, caso Unipar e Suzano não cheguem a um consenso que abra caminho para um acordo global com a Petrobras e os demais interessados, o próprio mercado irá pressionar os grupos, passando a pagar um valor menor pelas ações das empresas petroquímicas dos dois grupos. (Fonte: Valor Econômico)