Petrobras prevê que pólo do Sudeste sai neste ano
28/05/2007

A disputa pela liderança entre os grupos Unipar e Suzano é o principal obstáculo à consolidação do pólo petroquímico da região Sudeste, uma necessidade urgente na avaliação de dez entre dez executivos do setor. O jogo, que na avaliação de um importante membro da comunidade empresarial da região "às vezes foge à racionalidade econômica" para se perder pelo terreno das vaidades, ficou ainda mais acirrado agora, com a divulgação pelo Valor de uma proposta não formal da Unipar para assumir o controle da Suzano Petroquímica por US$ 300 milhões.

O número, considerado "irrisório" por outra fonte do setor, complicou ainda mais o nó que a Petrobras acha possível desatar até o fim do ano, na esteira da definição societária do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Por enquanto, há apenas um consenso: a consolidação da Braskem, com a compra dos ativos petroquímicos da Ipiranga no Sul, como a principal empresa privada do setor no país, exige a formação de outro grupo igualmente forte, capaz de competir com a empresa do grupo baiano Odebrecht.

O problema, na avaliação de um especialista, é que Unipar e Suzano são duas empresas de porte semelhante, o que dificulta a compra de uma pela outra, e são também empresas com aspiração de liderança, o que dificulta uma solução pela via da união de forças. O que está em jogo é o futuro da produção de duas das principais resinas termoplásticas fabricadas no país, o polipropileno, principal especialidade da Suzano, e o polietileno, destaque no catálogo da Unipar.

Os dois são sócios em mais de um empreendimento, sendo 33% cada um na Rio Polímeros (Riopol), que faz eteno e polietilenos a partir de gás natural e localizada em Duque de Caxias (RJ). O outro terço da fábrica pertence a Petrobras e ao BNDES, já sendo praticamente certa a venda da participação do banco para a petrolífera.

A Petrobras não esconde que o modelo da Riopol seria um interessante ponto de partida para a busca de um acordo mais amplo que consolidasse o pólo do Sudeste. O problema, mais uma vez, seria encontrar a fórmula que permitisse à Suzano e à Unipar conviverem com igualdade de pesos, como já fazem na empresa gás-química.

O grupo Ultra, visto ator importante na Petroquímica do Sudeste e parceiro da Petrobras no Comperj desde o primeiro momento, tem interesses diversos do que está em discussão. Seu caminho está mais ligado a produtos como o monoetilenoglicol (MEG), do qual é o único produtor do país com a controlada Oxiteno. Além disso, com a compra de parte da rede de distribuição de combustíveis da Ipiranga, ele passa a ter também interesse nos combustíveis que serão produzidos na refinaria petroquímica do Comperj. Trafega, dessa forma, em estrada própria.

Do lado de Suzano e Unipar, a impressão é de que o processo de aproximação entre ambas vai acabar chegando a bom termo, ainda que não haja tanto otimismo quanto o da Petrobras em relação ao prazo. Os dois grupos têm seus planos estratégicos para crescer, a primeira focada na expansão do complexo de Mauá, em torno da Petroquímica União (PQU), no qual a Suzano também tem participação, e esta, na sua consolidação como líder no mercado de polipropileno. A Riopol é a intersecção entre os dois caminhos. "Se tivermos uma condição na qual sejamos mais competitivos do que aquilo que está em marcha, ok!", pondera um envolvido no debate.

Na avaliação desse analista, até a Braskem está torcendo para que o trio interessado no pólo do Sudeste chegue a um acordo. É que, tendo um concorrente à altura, poderá deslanchar seus projetos para crescer no mercado interno, sem medo de ter às suas portas os órgãos de defesa da concorrência. (Fonte: Valor Econômico)