Unipar compra 3,5% da PQU por R$ 35,5 milhões
28/05/2007

A petroquímica Unipar deu mais um passo na sexta-feira para fazer a reorganização societária da Petroquímica União (PQU), central de matérias-primas do pólo de São Paulo. O grupo adquiriu, por R$ 35,5 milhões, as ações da SEP Empreendimentos Produtivos S/A, holding dos empregados da PQU que correspondem a 7% do capital ordinário. O banco UBS Pactual assessorou a Unipar na operação.

Essa participação, no entanto, não faz parte do bloco de controle da PQU. Hoje, a companhia é controlada por cinco grupos - Unipar, Dow Química, Suzano, Ultra e Unigel - que somam aproximadamente 62% do capital ordinário e 60% do total da empresa. A Unipar é a principal acionista, com 37,2%. Em seguida vem a Dow, com 13%.

As ações da SEP, portanto, não mudam o formato de controle da central. Esses papéis, que representam 3,5% do capital total da PQU, vão elevar a participação da Unipar para 40,7% no capital total. Já nas ações ordinárias da central, que tem um faturamento anual de R$ 4 bilhões, a Unipar passa a 44,5%.

No leilão de privatização da PQU em 1994, a SEP adquiriu 10% do capital total em ações ON e PN. Depois, usou as PN para quitar o empréstimo feito com o Banco Banespa para compra da participação.

"A aquisição é uma demonstração do forte interesse da Unipar nesse mercado, sinalizando que quer ficar e não sair", afirmou ao Valor Roberto Dias Garcia, presidente da Unipar. Segundo ele, foi oferecido aos sócios do bloco de controle da PQU o direito proporcional de compra das ações da SEP, pagando o mesmo preço de R$ 10,15 por papel. "Vai depender do interesse de cada um."

Para Garcia, a operação é só um ponto de partida no rearranjo da petroquímica no Sudeste. O intuito da Unipar, disse ele, como principal acionista da PQU e também da Rio Polímeros, pólo do Rio de Janeiro, é constituir uma petroquímica forte e competitiva na região de maior consumo do país. "Estamos trabalhando com outras opções", afirmou, evitando falar sobre a proposta feita pelos controladores da Unipar para comprar o controle da Suzano Petroquímica. No capital da PQU, a Suzano detém 6,8% e no do Rio, 33,3%, percentual igual ao da Unipar.

Para Garcia, se o modelo atual for mantido, com ativos dispersos em poder de vários grupos na região, haverá perda de valor ao longo do tempo. "O Nordeste (Copene) e o Sul (Copesul) já foram integrados pela Braskem, com participação da Petrobras". Para a estatal, é preciso formatar um grupo único no Sudeste até o fim do ano. A Petrobras tem 17,4% da PQU, 16,7% da Riopol e tem um canal aberto para conversar com seus sócios nos dois pólos.

Esse processo deve ocorrer por etapas, acredita o executivo, reconhecendo que a reorganização societária da PQU, controlada por cinco grupos, "é mais complexa e delicada" do que no Sul, onde havia apenas Ipiranga e Braskem no controle da Copesul. A saída da Ipiranga pôs fim ao nó. "Os blocos do Rio e São Paulo não fazem sentido separados", disse. Hoje, uma empresa reunindo todos os ativos no Sudeste (primeira e segunda geração), além de ter uma receita estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, teria mais condições de enfrentar uma disputa mais acirrada pelo mercado no país.

No momento, a PQU toca seu plano de expansão de R$ 1,16 bilhão para crescer mais de 40%, alcançando uma capacidade de 730 mil toneladas de eteno por ano. A Unipar investe na controlada Polietilenos União R$ 500 milhões para elevar a produção de 120 mil para 320 mil toneladas. Já a sua sócia Suzano amplia suas fábricas de polipropileno em Mauá (SP), ao lado da PQU, Duque de Caxias (RJ), perto da Riopol, e em Camaçari (BA), de 600 mil para quase 900 mil toneladas por ano.

"Só um grupo de peso vai gerar caixa e investir na região numa nova fase de crescimento 2012-2014. E também participar de projetos da Petrobras, como o Comperj (refinaria de óleo pesado e petroquímica em Itaboraí (RJ)", diz Garcia. (Fonte: Valor Econômico)