Impasse na formação do pólo do SE
24/05/2007

Vazamento de proposta da Unipar pela Suzano mostra dificuldades nas negociações. O vazamento de uma suposta proposta de aquisição da Suzano Petroquímica pela Unipar, por US$ 300 milhões, trouxe à tona o impasse a que chegaram as negociações entre as duas maiores sócias do Pólo Gás-químico do Rio nas discussões para constituição da Petroquímica do Sudeste. Executivos que acompanham de perto as negociações revelam que, na verdade, as conversas entre Suzano, Unipar e Petrobras para constituição do novo pólo têm se desenrolado a um ritmo menor do que o desejado pela Vila Velha S.A, controladora da Unipar. Pesam para isso não só as divergências quanto aos valores dos ativos a serem integrados, mas também quanto aos limites do poder da Petrobras na futura empresa.

Executivos que acompanham de perto as negociações avaliam que a oferta de aquisição – que na verdade não chegou a ser feita – teve por objetivo trazer a Suzano de volta à mesa para negociar o real objetivo da Unipar: constituir a Petroquímica do Sudeste a partir de um processo que envolveria, em primeiro lugar, a fusão das duas empresas e, em segundo, a integração da Petroquímica União (PQU) com o Pólo Gás-químico do Rio. Não interessaria, dessa forma, uma aquisição que demandaria o endividamento da Unipar.

Ontem, a Unipar foi obrigada a desmentir oficialmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a informação de que teria feito uma proposta de compra à Suzano por US$ 300 milhões. Em nota assinada pelo vice-presidente da empresa, Vitor Mallmann, a Unipar admite que negocia o que classificou de oportunidades de integração de ativos na região Sudeste, sem no entanto especificar os entendimentos para constituição da Petroquímica do Sudeste.

Procurados por este jornal, executivos da Petrobras e da Unipar não foram encontrados para comentar o assunto. A Suzano Petroquímica, por sua vez, desmentiu a informação antes da divulgação do comunicado da Unipar. Por meio da assessoria de imprensa, a Suzano confirmou que nem sua diretoria nem qualquer representante da família Feffer chegaram a receber proposta de compra da Unipar.

De qualquer maneira, um executivo que acompanha as negociações, que pediu para não ser identificado, revelou que os entendimentos entre Unipar, Suzano e Petrobras chegaram até a avançar, principalmente após a transferência do controle da holding Vila Velha Participações de Maria Cecília Geyer, viúva do fundador, para os herdeiros. Os entendimentos teriam chegado a um impasse, no entanto, muito mais pela Suzano do que pela Unipar.

A diretoria da empresa da família Feffer questiona o valor dos ativos apresentados pela Unipar na avaliação financeira do negócio. Por sua vez, a Petrobras, que já exige direito de voto e veto no futuro conselho da Petroquímica do Sudeste, teria subavaliado os ativos dos dois sócios privados. Quanto menos valerem, argumenta o executivo, menor terá que ser o desembolso da estatal no negócio.

Alto custo

A compra da Suzano pela Unipar exigiria um gasto extra de R$ 670 milhões devido ao pagamento do tag along de 80% aos minoritários da Suzano. Levando-se em conta o valor de mercado (mais potencial de crescimento e menos endividamento) estimado pelo Banco do Brasil (BB) de R$ 1,4 bilhão. O valor inclui também a participação da empresa na nova central gás química Rio Polímeros (RioPol). "E isso não inclui um possível ágio na negociação. Que pode ainda ocorrer. Sairia mais caro para a Unipar comprar a Suzano do que o contrário", disse o analistas do BB Nelson Rodrigues de Matos.

As ações da Suzano já vem subindo desde a segunda feira. Os papéis ON da companhia valiam R$ 5,09 na sexta-feira, R$ 5,25 na segunda-feira e ontem já estavam em R$ 5,44. Segundo fontes deste mercado, para que a Unipar entre em um negócio que pode sair bem mais caro do que o previsto ela pode já estar contando com um sócio de peso, no caso a Petrobras.

"Não pelo dinheiro, que a liquidez no mercado garante um empréstimo para o negócio sem muita dificuldade. Mas o que pode levar a Unipar a ter uma mão de obra dessas é a certeza de um sócio que vai consolidar a região com ela", disse a fonte. Para o analista do BB seria um modelo parecido com o qual a Petrobras entrou e consolidou o pólo petroquímico do Sul do País. "Ela não vai entrar sozinha no pólo do Sudeste assim como não fez no Sul, onde se associou à Braskem e ao grupo Ultra. Mas foi a agente e facilitadora da consolidação." (Fonte Gazeta Mercantil)