Braskem deixa operações e reduz custos
17/05/2007

A Braskem vai desinvestir em dois setores que não julga terem rentabilidade atrativas para a empresa neste momento: borracha sintética e resinas do tipo PET, usada, por exemplo, na produção de garrafas de refrigerantes. A empresa do grupo Odebrecht anunciou ontem que vai fechar toda sua produção de resinas tipo PET na Bahia e com isso terá uma redução de custos de R$ 30 milhões ao mês ao mesmo tempo em que sai da linha de concorrência da gigante italiana M&G, que construiu recentemente uma das maiores fábricas do mundo desta resina no Brasil.

A Braskem preferiu se associar aos italianos. "Com isso deixamos de competir, por hora, e teremos uma parceria com a M&G, de quem receberemos a resina e enviaremos a nossos clientes. A parceria prevê que a qualidade Braskem de fornecimento seja mantida", disse o novo vice-presidente da relações institucionais da Braskem, Marcelo Lyra.

Segundo ele, as duas fábricas que tornavam a produção da Braskem vertical, já que produziam a matéria-prima e também a resina, são antigas e já foram totalmente depreciadas, "não ficando a Braskem com nenhum ativo parado".

O executivo disse que a redução dos custos terá reflexo na rentabilidade futura da empresa, "3,8% do capital empregado da Braskem era neste negócio, que representava 1,9% da vendas de resinas. Neste momento não é vantajoso competir neste mercado. Mas vamos estudar um avanço tecnológico, caso seja viável podemos voltar ao mercado."

As duas unidades industriais desativadas em Camaçari (BA) empregavam 128 trabalhadores. Marcelo Lyra, no entanto, informou que 86 deles já estão recolocados em outras unidades da própria companhia, 18 estariam em processo de aposentadoria e os demais 24 estariam sendo recolocados internamente ou para fornecedores locais da empresa.

Petroflex

A Braskem também estuda propostas para vender seu bloco de participação de 20% no capital total da Petroflex, atualmente maior produtora de borracha sintética do País. As outras duas maiores sócias no negócio, Unipar e Suzano, tam-bém estudam sair da operação, na qual detêm 30,2% da ex-estatal Petroflex.

"O objetivo da Braskem com a venda é ter mais foco em seu negócio e em sua rentabilidade", disse uma fonte do setor. Entre as possibilidades de compradores especuladas ontem estão a Lanxess, que já vem tomando um mercado de borracha sintética que era majoritariamente da Petroflex, "além de outras candidatas estrangeiras", disse a fonte. Além disso, a Petroflex possui sócios que são investidores individuais e que poderiam se transformar em compradores associando-se a outras empresas, caso do Shigeaki Ueki, que possui 6% do capital da Petroflex. Segundo fontes, para a Elekeiroz, do grupo Itaúsa, também possível interessada, a Petroflex seria um mercado novo e talvez arriscado. (Fonte: Gazeta Mercantil)