Petroquímica eleva aposta em nanopartículas
14/05/2007

Menos de um ano após o lançamento da primeira resina termoplástica brasileira com nanotecnologia, Braskem e Suzano Petroquímica intensificam a disputa por inovações nesta área. Os primeiros produtos feitos a partir de resinas aditivadas com nanopartículas chegaram ao mercado apenas neste ano, mas as empresas já traçam metas ambiciosas para o novo mercado.
A Suzano prevê que, dentro de três anos, cerca de 10% de suas vendas serão fruto de pesquisas em nanotecnologia. A Braskem projeta que, em 2015, cerca de 10% das vendas na linha de polipropileno (PP) terão alguma relação com as nanopartículas.
Para atingir essas metas, as petroquímicas apostam no investimento em pesquisa e desenvolvimento e agilizam planos para viabilizar a produção comercial dos nanocompósitos. A Suzano já iniciou a construção de uma linha de produção específica para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como as nanopartículas, revelou ao DCI o gerente de Desenvolvimento de Novos Produtos, Cláudio Marcondes.
A linha de produção, chamada de Unidade Autônoma de Extrusão (UAE), ficará na unidade da Suzano localizada em Mauá (SP) e iniciará sua operação comercial no próximo ano. A unidade terá capacidade de 24 mil toneladas anuais. “A UAE vai permitir à Suzano ampliar ainda mais sua linha de maior valor agregado e também aproximará nossos produtos do conceito de qualidade dos plásticos de engenharia”, analisa o gerente de Marketing e Comunicação da Suzano, Sinclair Fittipaldi.
O executivo não revelou o montante que será investido na montagem da linha, mas destacou que o projeto permitirá à empresa garantir maior homogeneidade à mistura dos elementos e resultará em menores perdas na produção de resinas.
Nova patente
A Braskem, por sua vez, caminha em direção à diversificação do desenvolvimento da nanotecnologia. A empresa registrou na última sexta-feira a primeira patente brasileira em nanotecnologia de PVC, resina que apresentou expansão de 14% na demanda no primeiro trimestre. O nanocompósito, na comparação com as resinas tradicionais, possui propriedades físicas superiores, como rigidez e melhor desempenho em contato com o fogo. Com essas características, o PVC poderá substituir o ferro fundido e o concreto e ser utilizado em grandes obras de infra-estrutura.
O novo produto da Braskem será fabricado em escala comercial apenas no ano que vem. As primeiras unidades serão feitas em São Paulo. Em uma segunda etapa, a empresa deverá ter uma produção de nanocompósitos em uma das unidades principais da área de vinílicos, Bahia ou Alagoas, destaca o diretor de tecnologia e inovação da Braskem, Luís Fernando Cassinelli.
O diretor de Marketing e Estratégia da Braskem para a área de PVC, Marcelo Nunes, destaca que os primeiros testes para a análise da nova resina serão feitos no início do próximo ano e o produto deverá chegar ao mercado no segundo semestre de 2008.
Lançamentos
Ao mesmo tempo em que buscam parceiros para iniciar a comercialização dos produtos já patenteados, as petroquímicas ampliam as pesquisas na área de nanotecnologia. A Suzano uniu equipes na área de pesquisa e desenvolvimento de suas duas frentes de trabalho, petroquímica e papel e celulose, para buscar novas tecnologias. Já a Braskem decidiu internalizar uma equipe de trabalho que, até o ano passado, era composta em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Para Cassinelli, setores como o automobilístico e o eletroeletrônico são alguns dos potenciais mercados dos nanocompósitos. Outro mercado de enorme potencial, o de embalagens para alimentos, também poderá utilizar produtos a partir de nanopartículas, mas a Braskem ainda analisa se há alguma contra-indicação em alimentos terem contato direto com os nanocompósitos.
Atenta ao potencial desse mercado, a Suzano pretende registrar duas novas patentes nos próximos meses. “Uma dessas já está, inclusive, com o texto de apresentação sendo preparado e deverá ser registrada dentro de um mês e meio”, diz Marcondes. O executivo revelou que a empresa também tem avançado em estudos para apresentar um nanocompósito para a área eletroeletrônica.
Produtos no mercado
Os primeiros bens de consumo feitos com nanocompósitos já chegaram ao mercado. A Suzano e a Suggar anunciaram no fim de abril o lançamento dos primeiros eletrodomésticos fabricados nacionalmente com o uso de nanopartículas. A inovação é usada inicialmente na linha de lavadoras semi-automáticas da Suggar.
Além desse acordo, a Suzano já definiu parceria com um fabricante de colchões da Região Sul — a direção da petroquímica mantém em sigilo o nome do parceiro — para a produção de colchões a partir de uma resina especial para a fabricação de fios e fibras utilizadas na confecção desse produto. A Suzano também desenvolveu duas peças domésticas: tapeware e tábua para carne, ambas com nanocompósitos. Esses produtos, no entanto, dependem de um acordo com parceiros interessados em assumir a produção comercial das peças.
A Braskem firmou parceria com a Termolar para o desenvolvimento de garrafas térmicas com polipropileno com nanocompósitos. Outra resina em PP, ainda em fase de testes, poderá ser utilizada na produção de pára-lamas de caminhões.
As duas empresa pretendem lançar selos próprios que caracterizem as resinas feitas com nanopartículas. A Suzano, inclusive, já decidiu que dividirá suas linhas de produtos em diversas famílias e os nanocompósitos terão uma apresentação específica, sob a nomenclatura da família Diya. (Fonte: DCI)