Peças de plástico ganham espaço nos veículos
07/05/2007

Uma tendência crescente nos últimos anos, a utilização de peças de plástico nos veículos em substituição a itens de metal tem tudo para ganhar ainda mais força. Um exemplo é a poliamida (um tipo de plástico), cujo volume nos automóveis dobrou na última década, de cinco para 10 kg por carro.

A poliamida usada em plásticos de engenharia (como são chamadas as peças com esse material) oferece diversas vantagens, entre elas a de proporcionar redução de peso ao veículo – e como conseqüência, economia de combustível, diminuição na emissão de poluentes e melhor performance – e ganhos em produtividade no processo fabril.

O produto é reciclável e possui ainda resistência mecânica (a impacto, por exemplo) e térmica (suporta temperaturas de 150ºC). Com isso, pode ser utilizada até no motor. A Rhodia lança na feira Brasilplast, nesta semana, no Pavilhão do Anhembi, uma nova linha voltada para cobertura de motores e tampa de comando de válvulas.

Com investimento de US$ 3 milhões em dois anos na unidade de Plásticos de Engenharia, em São Bernardo, a empresa tem inovado, em parceria com montadoras e sistemistas (fabricantes de sistemas automotivos).

Outro novo projeto da companhia é um rack de carro, que substitui o feito em alumínio e que possui um design diferenciado (barras longitudinais no teto). Desenvolvido no Brasil em parceria com a Fiat e a empresa Mueller, foi adotado no modelo Fiat Idea Adventure. Possibilitou uma redução de peso de 45% e economia de 35% no preço final da peça em relação à de metal.

Segundo o gerente comercial da área de Plásticos de Engenharia da Rhodia, Paulo Motta, a adoção cada vez mais ampla do material nos veículos se deve não só a suas vantagens, mas a mudanças de conceito. Há 15 anos, o carro com pára-choque de metal era identificado como seguro. “Hoje o carro seguro é o que absorve o impacto”, afirma.

Outros tipos de plástico também ganham espaço nos veículos. A Suzano Petroquímica, por exemplo, vai lançar um composto da resina polipropileno para produção de pára-choques. O mercado automobilístico consome anualmente entre 110 e 120 mil toneladas de compostos de polipropileno e a meta da empresa é atingir entre 10% e 15% desse mercado.

PEÇAS
Para as fabricantes de peças com o material, a tendência é mais do que bem vinda. A Ecus Injeção, de Mauá, que fabrica peças de acabamento (puxadores de porta, porta objetos e mangueiras de ar-condicionado de carros), por exemplo, já tem planos para adquirir máquinas maiores, para produção de pára-choques, com o objetivo de conquistar novos mercados.

“A perspectiva, tanto na área automotiva quanto na eletroeletrônica, é ampliar os negócios”, afirma o sócio da Ecus, Oswaldo Baradel. No entanto, ele ressalta que em relação a outros países o consumo per capita de plástico no Brasil ainda tem muito a crescer (24 kg por habitante ao ano em comparação a 98 kg na média de Europa e EUA).

PROGRAMAS
Uma demonstração do crescimento desse mercado, a adoção de programas de simulação de injeção (que simulam o processo de fabricação das peças de forma virtual) para a indústria do plástico dispara. Uma empresa que comercializa esses sistemas, a Smarttech Plásticos registrou crescimento de 25% nas vendas em 2006, depois da expansão de 15% em 2005, e de 10% em 2004.

Segundo o sócio da empresa, Mário Carneiro, essas soluções significam economia nos testes com moldes e uma garantia de controle da qualidade, já que é possível antever como ficará o material. ”Fizemos um trabalho com as montadoras, que passaram a exigir a tecnologia e começamos a vender mais”, afirma. (Diário do Grande ABC)