Preço do propeno beneficia Suzano
03/05/2007

Empresa reverte prejuízo e lucra R$ 54,6 milhões no primeiro trimestre; receita sobe 33%. A Suzano Petroquímica foi fortemente beneficiada neste primeiro trimestre, em relação às outras empresas do setor, pelo dólar desvalorizado e por seu reflexo em sua matéria-prima para fazer resinas de polipropileno (PP): o gás propeno vindo de refinarias ou do gás natural. A maior parte das petroquímicas brasileiras usa propeno vindo apenas de nafta petroquímica, derivada do petróleo e que teve considerável aumento durante o primeiro trimestre.

Já o gás propeno de refinaria teve entre janeiro e março um forte recuo, passando de US$ 1,3 mil no final do ano passado para US$ 1 mil em março, por causa da cotação do dólar que entra nos cálculos de preço do propeno de refinaria.

Além de aumentar em cinco vezes o lucro em relação ao último trimestre de 2006, para R$ 54,6 milhões, e reverter prejuízo de igual período de 2006, a empresa conseguiu uma margem Ebitda de 15,8%, próximo da média de 2004, ano historicamente bom para o setor. O lucro também foi engrossado pela entrada de R$ 15,7 milhões como uma parcela de pagamento da Politeno.

"Com a queda no preço do propeno nosso spread nas resinas de PP foi muito bom. Isso porque 60% de nosso PP é feito a partir de propeno de refinarias", disse o co-presidente da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho. A Suzano compra seu propeno de outras centrais (Braskem e Petroquímica União-PQU), de refinarias da Petrobras e também da central gás química Rio Polímeros, na qual detém um terço de participação.

O propeno pode ser tirado do gás natural, como faz a Rio Polímeros, de gases residuais de refinaria, como faz produz a Petrobras, e da nafta, como fazem as outras petroquímicas.

A nafta alcançou o recorde de US$ 600 por tonelada durante o primeiro trimestre porque o preço cobrado pela Petrobras está atrelado aos valores aplicados na Europa e também devido as paradas de manutenção na Ásia e no continente europeu nos primeiros meses deste ano. Já o gás de refinaria vendido pela Petrobras é calculado a partir do gás nos Estados Unidos, que aumentou sua oferta do produto no período.

"No primeiro semestre de 2006 tivemos prejuízo, durante o segundo semestre conseguimos ter um lucro em igual valor fechando o ano sem lucro nem prejuízo. Agora vemos um lucro consistente devido inclusive à redução de custos administrativos e crescimento de vendas na América do Sul", disse o também co-presidente da Suzano João Nogueira. A receita líquida da empresa foi de R$ 630,4 milhões, alta de 33% em relação a igual período de 2006. A geração de caixa bruta, medida pelo Ebitda, alcançou R$ 99,3 milhões, alta de 581%. (Fonte: Gazeta Mercantil)