Suzano se diz pronta para consolidar
03/05/2007

Roriz e Nogueira, co-presidentes da petroquímica: redução no endividamento para fazer novos investimentos, incluindo os de consolidação de ativos

A Suzano Petroquímica, que revelou um lucro líquido de R$ 55 milhões no primeiro trimestre de 2007, disse que está pronta para fazer qualquer movimento em direção à consolidação dos ativos petroquímicos na região Sudeste.

"Fizemos nosso dever de casa e estamos prontos para investimentos de qualquer natureza", disse o co-presidente da Suzano Petroquímica, João Nogueira Batista. Depois de falar sobre o interesse da Suzano, desde 2004, de se tornar um agente consolidador, o executivo completou: "A Unipar não fez sua lição de casa na PQU." Ele se referiu à Petroquímica União, a central de matérias-primas do Sudeste, onde a Unipar é acionista majoritária e divide o controle com outros grupos, incluindo a Suzano.

A consolidação dos ativos petroquímicos no Sudeste é a bola da vez na atenção dos analistas, principalmente depois que a Braskem comprou, juntamente com a Petrobras, os ativos do grupo Ipiranga em março, abrindo a consolidação no pólo do Sul. A Braskem domina também o pólo do Nordeste.

Segundo o outro co-presidente da Suzano, José Ricardo Roriz Coelho, as petroquímicas que atuam no Sudeste têm o objetivo de convergir na consolidação, mas afirmou que os "interesses são conflitantes". Ele descartou o modelo societário vigente na Rio Polímeros, onde Suzano, Unipar e Petrobras compartilham o controle da empresa do pólo gás-químico.

Ele não deu maiores detalhes sobre a proposta idealizada pela Suzano. Deixou no ar, contudo, a idéia de que o grupo controlado pela família Feffer gostaria de deter o controle majoritário da nova petroquímica do Sudeste. A Suzano não fez oferta de compra da Unipar, informaram ambos.

A Suzano, que promoveu uma reestruturação societária, tornando-se uma empresa operacional, reduziu sua alavancagem financeira, que havia crescido com a aquisição da fatia que faltava na Polibrasil. A relação entre dívida e lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) da controladora, que chegou a 7,1 vezes no segundo trimestre de 2006, caiu para 4 vezes no fim de março. A Suzano teve uma geração de caixa de R$ 68 milhões. Ela reduziu as despesas administrativas em 41%, aumentou as margens sobre o lajida para 15,5% (as mais altas desde o pico de 2004) e melhorou o mix de exportações.

"A Suzano foi capaz de fazer um ajuste ao novo patamar de câmbio", disse Nogueira Batista. A empresa informou que os ajustes de custos já foram concluídos. A empresa estuda fazer novos aumentos de preços. Roriz afirmou que relação entre demanda e oferta de produtos petroquímicos continuará equilibrada. A companhia avalia que essa situação não deve mudar antes de 2009, indicando um cenário favorável ao setor.

A empresa investirá, entre 2008 e 2012, o equivalente a US$ 371 milhões em projetos de expansão de capacidade de produção.(Fonte: Valor Econômico)