Grande SP e mais três cidades têm 75% do emprego industrial
12/04/07

Maioria das empresas que fabricam produtos mais elaborados, com mais condições de ganhar o mercado externo, está instalada em um raio de 100 quilômetros da capital paulista

A região metropolitana de São Paulo, com 39 municípios, mais as cidades de Campinas, São José dos Campos e Sorocaba concentram 85% da massa salarial do Estado e são responsáveis por 75% dos empregos industriais. A concentração foi diagnosticada em estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) envolvendo os 645 municípios paulistas e 287 setores da indústria.



A maioria das indústrias de maior valor adicionado (que produzem com valor agregado e têm mais condições de exportar) está instalada em um raio de 100 quilômetros da capital paulista. Juntas, São Paulo, Campinas, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Jundiaí, Osasco, São José dos Campos, Santo André, Sorocaba e Mogi das Cruzes abrigam 64,3% dessas empresas, segundo a Fiesp.



O estudo, denominado 'Atlas da Competitividade da Indústria Paulista', foi feito em parceria com a Fundação Seade e a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, e serve de subsídio ao empresariado para decisões sobre investimentos. São Paulo é responsável por 40% da produção industrial brasileira.



O Atlas, disponível na internet, tem 2 mil mapas e cada cidade é avaliada de acordo com sua importância em relação ao Estado por atividade, número e porte de empresas industriais, número de empregados na indústria, escolaridade dos funcionários e salários pagos.



'O Atlas é um mapa da indústria de São Paulo e apresenta vários tipos de indicadores, não só regionais como de emprego e produtividade', afirmou o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Carlos Pacheco.



Segundo ele, o estudo revela que São Paulo tem perdido posição no ranking da indústria nacional, mas tem mantido no Estado atividades de maior valor agregado. 'Significa que a produtividade média da indústria de São Paulo é maior do que a do restante do País.'



Para Pacheco, há mais de 25 anos está ocorrendo um processo de transferência industrial da capital para outras regiões. 'É um processo de interiorização do desenvolvimento.'



Segundo o diretor do Departamento de Competitividade da Fiesp, José Ricardo Roriz, a região metropolitana de São Paulo concentra metade da força industrial do Estado. 'A região é sede das grandes empresas, das áreas de marketing e de desenvolvimento da inteligência das empresas.' Já as unidades fabris, diz, estão indo para outras regiões do Estado.



Roriz disse que algumas empresas estão saindo de São Paulo em busca de vantagens fiscais e mão-de-obra mais barata. 'Na capital, estão ficando os produtos de maior valor agregado, onde se pode pagar os maiores salários.' O melhor rendimento médio pago pela indústria, de R$ 3.212, no entanto, foi verificado em São José dos Campos, onde estão a Embraer e a General Motors. Na seqüência está São Bernardo do Campo, que abriga várias montadoras de veículos, com R$ 2.489.



CÂMBIO



A Fiesp espera, com esse conjunto de informações, ajudar a aumentar a competitividade industrial regional. 'Já que não podemos mexer no câmbio e nos juros, podemos fazer políticas de apoio à competitividade, para compensar esse câmbio completamente enviesado', disse Pacheco. Na opinião do secretário, o câmbio é um problema maior do que a guerra fiscal. 'O câmbio retira a competitividade da indústria de forma muito forte. Para um Estado altamente industrializado como São Paulo, retira as empresas da atividade industrial.'



Os dados disponíveis no Atlas, disse Pacheco, oferecem subsídios para o governo formular estratégias de política industrial. 'São Paulo tem de promover políticas de apoio à competitividade da indústria, que além do câmbio sofre com a concorrência da guerra fiscal e dos produtos da China.'(Fonte: O Estado de S. Paulo)