Transformador de plástico paulista busca diversificação
12/04/07

A definição do acordo para um trabalho conjunto com fabricantes de resinas e a criação do pólo petroquímico do Sudeste, prometida pela Petrobras, estão levando euforia aos transformadores de plástico de São Paulo. Empresas do setor, como a Zaraplast e a Indeplast, apostam em que, com essas iniciativas, aumentará o volume de produção local de resinas e eles poderão realizar um antigo sonho desse segmento: ampliar a utilização de plástico em mercados atualmente dominados por outros materiais, como vidro e papel.

“Hoje, em alguns casos, somos praticamente revendedores de matéria-prima [resinas], mas os preços mais competitivos podem viabilizar investimentos para atuarmos em mercados mais atrativos”, analisa Rodrigo Gomes da Costa, diretor de negócios da Indeplast, empresa que fabrica itens como tampas e potes.

Um dos principais mercados a serem disputados pelos transformados plásticos é o de bebidas. Atualmente, os produtos PET respondem por aproximadamente 80% do mercado de refrigerantes. No caso do segmento de sucos, no entanto, a participação reduz para cerca de 15%.

O diretor da Indeplast ressalta que em alguns casos o custo de produção de vidros e plásticos apresenta patamares semelhantes, por isso qualquer ganho de competitividade na linha de produção poderá refletir em novos mercados. “Nesse caso, até mesmo o fato da implantação de uma linha de envase para o PET ser menos cara do que o vidro pode ser um diferencial”, completa.

Para Eli Kattan, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Poliolefínicas (Afipol), não é apenas sobre o mercado do vidro que o transformador plástico pode avançar.

“Se o preço cair, como se espera, podemos substituir itens fabricados com papel, algodão e juta [fibra têxtil vegetal]”, afirma o executivo, que também é diretor da Zaraplast, fabricante de produtos como sacarias de ráfia e sacolas de supermercado. Há ainda, segundo ele, espaço para o plástico crescer diante das latas, no caso do setor de tintas, e do vidro, em alimentos.

Novos mercados na mira

O primeiro passo para que os transformadores da região do ABC paulista avancem em novos mercados será a pesquisa a ser elaborada pelo grupo que compõe o Arranjo Produtivo Local (APL) do ABC paulista. O APL já entrou em uma segunda fase, em que fabricantes de resina e transformadores intensificaram seu trabalho conjunto. “O objetivo é fazermos uma pesquisa de mercado que aponte em quais atividades podemos ampliar nossos negócios”, revela o diretor da Ecus Injeção, Osvaldo Baradel.

Mesmo antes de conquistar mercados dominados por outros materiais, a Ecus espera diversificar sua presença no mercado de transformação. Tanto que, até o final deste ano, a empresa, que hoje produz itens apenas para a indústria automotiva , pretende oferecer peças para fabricantes de linha branca e eletroeletrônicos. “Atualmente trabalhamos apenas com os projetos de nossos clientes, mas pretendemos desenvolver nossos próprios produtos assim que a pesquisa de mercado for concluída”, diz.

Mas o executivo da Ecus destaca que os transformadores não poderão apenas aguardar que o pólo do Sudeste proporcione queda de preço no valor das resinas. “Precisamos trabalhar no desenvolvimento de novos produtos, o que será facilitado com a entrada de grandes empresas nesta segunda fase do APL”, destaca.

É o caso da Suzano Petroquímica — uma das patrocinadoras do APL —, que pretende trabalhar em parceria com os transformadores para ampliar as vendas dos clientes. “Pretendemos capturar as sinergias já existentes, como nas áreas de logística e conhecimento”, ressalta o gerente de Marketing da Suzano, Sinclair Fittipaldi. O fato de a companhia possuir em Mauá um laboratório, que poderá ser utilizado em forma conjunta com os transformadores, também deverá impulsionar o desenvolvimento de produtos na região.

A idéia de fortalecer a cadeia do plástico do ABC refletiria também nos negócios da petroquímica. Isso porque, com maior volume de vendas nas proximidades da planta de Mauá, a Suzanoteria ganhos logísticos. (Fonte: DCI)