Pólo Petroquímico paulista investe US$ 330 mi
12/04/07

O Pólo Petroquímico do Grande ABC paulista está em vias de investir mais de US$ 330 milhões em expansão da Petroquímica União (PQU), uma das empresas mais importantes do complexo, por ser a central de matéria-prima.

É ela quem recebe a nafta — parte do petróleo craqueado que serve de matéria-prima para a indústria petroquímica — e a transforma nos produtos da chamada segunda geração, utilizados por todas as outras indústrias do pólo e algumas da Baixada Santista.

Com o futuro aporte, a capacidade da oferta de um dos produtos da PQU, o etileno, deve aumentar 40% — de 500 mil toneladas para 700 mil toneladas ao ano — beneficiando diretamente quatro de seus clientes do pólo: a Oxiteno, a CBE, Suzano Petroquímica e a Polietilenos União. Esta última, por exemplo, já prevê um investimento de US$ 200 milhões e aumento na sua produção de 130 mil toneladas para 330 mil toneladas ao ano, e a Suzano, incremento de 360 mil toneladas para 450 mil toneladas ao ano, graças a maior demanda do etileno propiciada com a expansão, que deve ser finalizada em abril do ano que vem.

Segundo o gerente executivo da Associação das Indústrias do Pólo Petroquímico do Grande ABC (Apolo), Sidney dos Santos, esse aporte só pôde ser concretizado agora, em virtude da legislação estadual ter sido modificada em 2002. Ele conta que a lei restringia qualquer tipo de expansão da indústria petroquímica na região da Grande São Paulo, por ser área urbana e de forte impacto ambiental. “Eu acredito que essa lei tenha tido sentido quando foi proposta, e estava de acordo com as tecnologias disponíveis na época. No entanto, agora, três décadas depois, ou ela seria reformulada, ou o pólo morreria”.

A proposta de reestruturação da lei foi levada ao governo estadual com ajuda das administrações públicas locais. As prefeituras de Mauá e Santo André apoiaram a reivindicação dos industriais e ajudaram na argumentação do setor, tendo em vista a importância econômica do pólo para o estado e para a região.

De acordo com dados da Secretaria de Fazenda do Estado, a indústria química e petroquímica representa quase 33% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) do Grande ABC. Quando calculada em Santo André, a porcentagem passa para 40,6%, e em Mauá 54,7%. Para 2012, o projeto é que a produção da PQU salte para 1,2 milhões de toneladas de etileno ao ano, com a entrada de uma quantidade dobrada de nafta na petroquímica, que deve ser captada de outras refinarias, além da Refinaria de Capuava, a Recap — muito próxima ao pólo, que atende às demandas atualmente. “Com isso, a perspectiva é que a produção de todas as indústrias do pólo dobre”, disse.

Santos diz que o Pólo sofre desvantagens em relação aos outros dois pólos do País: o de Camaçari (BA) e o de Triunfo (RS). “Aqui, o ICMS é muito alto e nós sofremos muito com isso. Estamos tentando sensibilizar o governo do estado para rever essa tributação, porque se essa tarifa continuar alta, o território vai se esvaziando de indústrias. O caso do pólo é diferente, porque as indústrias estão instaladas aqui há cerca de 20, 30 anos, e somos muito interligadas. Se um se mover, tem de mudar todo mundo”.

O presidente da Associação, Antonio Fernando Pinto Coelho exemplificou. “O projeto novo da Ford foi para Camaçari, e o da General Motors, para Triunfo. Nós somos muito castigados nessa questão tributária, concorremos com outros pólos que têm alíquotas tributárias muito mais favoráveis que as nossas. Aqui o ICMS é de 18%, enquanto nos outros pólos é de 12% — o Rio Grande do Sul já briga para chegar aos 9%. Isso faz com que, igualando nossos preços aos deles, eles tenham uma lucratividade muito maior que a nossa. Com pouco lucro, podemos investir pouco também, nossas indústrias vão ficando estagnadas. Para um parque industrial, é importante que o crescimento das empresas acompanhe o crescimento do país”, disse. “Nós daqui lidamos com a escassez de água, problema que os outros pólos não têm”, acrescentou.

Hoje, as indústrias utilizam água captada do rio Tamanduateí, que é tratada no pólo até que fique limpa o bastante para fins industriais, mas que não é em quantidade suficiente. Para complementar esse montante, o complexo se utiliza de água do sistema de Saneamento Básico do Município de Mauá (Sama), abastecida pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que é potável.

Recentemente foi fechado um contrato de investimento de R$ 88 milhões para viabilizar a captação de água de uma estação de tratamento da Sabesp situada em Heliópolis, na divisa entre São Paulo e São Caetano do Sul. Essa água é tratada pela estação, mas é devolvida ao Rio Tamanduateí, para que dilua um poço dos resíduos.

A intenção deste projeto é que a água tratada por esta estação seja captada por uma adutora, que deve transportá-la até o pólo para ser sujeita a mais um tratamento, até que fique limpa o suficiente para o uso industrial. “Esse projeto deve substituir essas duas fontes permanentemente, além de poupar a água potável que utilizamos, disponibilizando uma maior quantidade para a comunidade”, disse Santos.

O pólo conta hoje com três milhões de metros quadrados e mais de três mil funcionários, entre fixos e terceirizados.

No mês passado, aconteceu a segunda edição do Pólo Dá Vida, projeto social realizado pela Apolo, que levou mais de 20 serviços gratuitos para a população da região. Foram oferecidos desde exames de saúde até corte de cabelo para quase 24 mil pessoas. (Fonte: DCI)