Braskem e PDVSA devem se unir em projeto de US$ 2 bi
09/04/2007

O tenente-coronel Hugo Chávez, presidente da Venezuela, está perto de se tornar o mais novo parceiro estratégico da petroquímica Braskem. A companhia brasileira e a Pequiven - braço petroquímico da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) - anunciam nos próximos dias investimentos de aproximadamente US$ 2 bilhões na construção do Complexo de Olefinas de Jose, o maior da América Latina.



O empreendimento, localizado numa região a leste de Caracas, marcará a definitiva internacionalização da Braskem, empresa controlada pelo grupo baiano Odebrecht, e hoje a maior produtora latino-americana de resinas termoplásticas, produto usado em vários bens de consumo. O movimento da companhia posiciona o Brasil na nova configuração do setor petroquímico mundial, ainda que o negócio tenha como sócia uma companhia usada como instrumento do governo bolivariano de inspiração socialista de Hugo Chávez.



O venezuelano tem o principal: abundância de gás natural. A Venezuela tem as maiores reservas do combustível das Américas do Sul e Central. Detém, segundo relatório da British Petroleum, 4,32 trilhões de metros cúbicos de gás, 2,4% das reservas mundiais. O Brasil tem, conforme o mesmo relatório, 330 bilhões de metros cúbicos.



De qualquer forma, o projeto venezuelano segue o desenho estratégico da Braskem. Reúne num único complexo uma central petroquímica de 1ª geração, para a extração das moléculas de etano e propano do gás natural, e unidades para transformação da matéria-prima em resina termoplástica (a chamada 2ª geração). O empreendimento prevê a produção de 1,2 milhão de toneladas por ano de etano para posterior transformação em polietilenos e 400 mil toneladas de propano para produção de polipropileno.



No que diz respeito à divisão dos investimentos, segundo a estratégia da companhia controlada pelo presidente venezuelano, as associações com capital estrangeiro implicam manter o controle do negócio nas mãos do Estado.



A aproximação de Braskem e Pequiven não é nova. O complexo fez parte de um pré-acordo entre as duas companhias firmado em abril do ano passado. Na época, assinaram um acordo para “desenvolver e implantar” o maior pólo petroquímico integrado da região. Em dezembro de 2005, a Braskem já havia assinado um contrato com a PDVSA para importação de nafta (matéria-prima extraída com o refino do petróleo).



O acordo com a PDVSA de Chávez é semelhante ao que a Braskem persegue na Bolívia de Evo Morales. Com uma diferença. Na Bolívia, o projeto petroquímico pode envolver a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), mas também a Petrobrás, que explora gás natural. A estatal brasileira assinou recentemente um aditivo ao contrato de importação do gás natural da Bolívia a partir do qual aceitou pagar mais pelas frações de etano e propano existentes no insumo, as mesmas que serão processadas em solo venezuelano. A Braskem poderá industrializá-lo para fornecer na cadeia do plástico.



OFENSIVA



A ofensiva internacional da Braskem é parte de um movimento mundial do setor de commodities, que não é exclusiva da petroquímica,e pode ser vista na indústria da mineração, do aço e da celulose, entre outros setores. No caso da petroquímica, a Braskem é a brasileira com planos mais agressivos. Além dos negócios na Venezuela e os planos na Bolívia, a companhia integrou o consórcio que viabilizou a compra, por US$ 4 bilhões, do Grupo Ipiranga na maior transação já realizada entre companhias brasileiras.



A Braskem comprou 60% da Ipiranga Petroquímica e contou com a parceria da Petrobrás, que adquiriu 40% do negócio. A aquisição, que também teve a participação do Grupo Ultra, permitiu a integração de boa parte do Pólo Petroquímico de Triunfo (RS). A Braskem, que pagará US$ 1,1 bilhão pelos ativos da Ipiranga, passou a controlar a Copesul, que produz matérias-primas para as unidades de resinas da empresa. A companhia já havia concluído a integração da Copene, quando foi criada.



Atrás estão as concorrentes da Braskem no Brasil. A Unipar e a Suzano buscam ter o que a companhia controlada pela família Odebrecht já conseguiu: a parceria estratégica da Petrobrás. Querem a integração do pólo petroquímico na região Sudeste, principalmente a Petroquímica União (PQU), assim como a Braskem fez no Nordeste e no Sul.



“Todos os últimos lances da Braskem (a compra da Ipiranga, o acordo com a Venezuela, o projeto da Bolívia, as parcerias com a Petrobrás) fazem parte da estratégia de fortalecer a empresa num cenário internacional de consolidações. O mesmo movimento que acontece no mundo ocorre agora na América Latina”, diz João Luiz Zuñeda, diretor da Maxiquim Assessoria de Mercado.(Fonte: O Estado de S. Paulo)