Petrobras quer fortalecer indústria nacional com a compra da Ipiranga
05/04/2007

O objetivo da Petrobras, ao comprar, em conjunto com os Grupos Ultra e Braskem por US$ 4 bilhões a Ipiranga, é fortalecer as indústrias nacionais na área petroquímica, afirmou nesta quarta-feira (4), o presidente da Petroquisa (subsidiária da Petrobras no ramo petroquímico), José Lima de Andrade Neto, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.

Com a aquisição do grupo Ipiranga, a Petrobras aumentou de 15% para cerca de 34% a sua participação na petroquímica Copesul, localizada perto de Porto Alegre (RS). O grupo Braskem ficou com o controle acionário da Copesul, com mais de 60% das ações. Já o grupo Ultra, que é especializado na distribuição de gás de cozinha na região Sul, assumiu com a distribuição de combustíveis no Sul e Sudeste.

"Este setor (petroquímico) está cada vez mais ganhando escala mundial. Quem quiser se manter, tem que crescer e fortalecer investimentos", disse Lima de Andrade no Senado Federal. Ele representa o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, que está participa de cerimônia nos Estados Unidos.

O presidente da Petroquisa confirmou que a Petrobras vai abandonar a marca Ipiranga na região Nordeste dentro de cinco anos, onde ficará responsável pela distribuição de combustíveis feita antes pela Ipiranga. Entretanto, acrescentou que, nas regiões Sul e Sudeste, onde o serviço ficará com o grupo Ultra, a marca será mantida para sempre.

O diretor do grupo Ultra, José Américo, que também participa da audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, afirmou que as empresas que não tiverem crescimento no setor de distribuição de combustíveis também terão dificuldades no futuro.

"Essa foi a motivação para a compra da Ipiranga. Não deve haver grandes mudanças, a não ser uma maior disposição para investimentos e crescimento. A Ipiranga é uma marca forte, que está em excelente condições operacionais", avaliou Américo.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minério e Derivados de Petróleo, Ângelo Carlos Martins, está receoso, porém, sobre a possibilidade de demissões, e disse que o negócio de compra da Ipiranga foi feito de "porteiras fechadas, da noite para o dia". "Os trabalhadores foram pegos na calada da noite. Há o compromisso de manter emprego, mas quem me garante que isso será feito. Hoje são apenas palavras. Depois eu quero ver", afirmou ele.(Portal G1)