Nafta ultrapassa os US$ 600 no País com a alta de preço na Europa
02/04/2007

A matéria-prima de toda a indústria petroquímica nacional (de sintéticos e plásticos) deverá ficará entre 8% e 9% mais cara a partir de segunda-feira, ultrapassando os US$ 600 por tonelada. É o maior reajuste do ano a ser feito pela fornecedora exclusiva de nafta petroquímica no País, a Petrobras. As previsões são da consultoria especializada Maxiquim.

O motivo é uma alta que vem ocorrendo no preço da nafta nos principais mercados mundiais (Europa, Japão e Estados Unidos). Na Ásia houve paradas de manutenção de refinarias durante o mês de março, quando a nafta chegou a custar US$ 650. Na Europa as refinarias começam paradas de manutenção a partir do próximo mês, segundo relatórios de consultorias internacionais.

Com as últimas altas de preço as previsões de analistas de que o barril de petróleo fique entre US$ 55 e US$ 60 e de que a nafta oscile entre US$ 500 e US$ 550 pode ser revista já no próximo mês, na avaliação da Maxiquim.

A escassez do produto na Ásia aqueceu a demanda na Europa. Como no Brasil a Petrobras usa em seu cálculo de preços o valor da nafta européia, o preço da nafta da Petrobras em abril pode chegar acima de US$ 610 por tonelada.

Diferente dos primeiros meses do ano, quando as petroquímicas brasileiras tinham a opção de conseguir nafta mais barata no exterior, o insumo está em escalada nos principais mercados mundiais. Embora os contratos de longo prazo na Europa estejam ainda próximos de US$ 600, os contratos spot já encostam em US$ 630, segundo fontes do mercado.

"Apesar do reajuste a nafta da Petrobras deve ficar mais barata do que a de outros mercados em abril, quando não deve ser bom negócio importar", disse a sócia diretora da Maxiquim, Solange Stumpf.

Será o segundo aumento consecutivo da nafta no País. Em março o preço do derivado de petróleo subiu 6,3%. Acima das previsões de 4% feitas em fevereiro. "Este mês também prevemos 8% mas a elevação pode chegar próximo de 9%. Da mesma forma, se os preços seguirem firme na Europa podemos ter nova alta em maio", disse.

Além da época de paradas de manutenção na Ásia e Europa, "há também o fim do inverno no Hemisfério norte, o que sempre aumenta o consumo de gasolina nos EUA e também da nafta que é misturada a ele", disse a especialista.Segundo antecipou a Gazeta Mercantil, o presidente da União de Indústrias Petroquímicas (Unipar) Roberto Garcia, a partir de US$ 600 por toneladas o custo da nafta começa a corroer as margens. Embora o executivo pense que este aumento não interfira nos resultados do primeiro trimestre. "Que será muito bom", disse o executivo em fevereiro.

Os executivos do setor criticam a forma de cálculo da Petrobras por incluir o preço da Europa. " Já não temos porque nos basear em um preço de uma região que em primeiro lugar não é auto-suficiente em petróleo e também está à mercê de especulações de preços que não ocorrem aqui", disse o co-presidente da Suzano Petroquímica. José Ricardo Roriz Coelho em recente conversa sobre a oscilação de preços da nafta.

Neste cenário empresas que usam matérias-primas alternativas à nafta terão vantagem competitiva. É o caso da central gás química Rio Polímeros que usa gás natural para produzir suas resinas plásticas de polietileno (PE).

Segundo Solange Stumpf, quem usa o gás natural e também os gases de refinaria da Petrobras terão um preço que deve ficar abaixo dos US$ 600. Também é o caso da Petroquímica Paulínia, que inicia operações no início de 2008 e usará gases de refinaria negociados com a Petrobras para produzir resinas de polipropileno (PP).

Reajustes de preço

Embora as grandes petroquímicas não tenham comentado se a alta da nafta torne compulsório um reajuste de preços das resinas plásticas no País, os executivos de Braskem e Suzano garantiram estabilidade de preços apenas até fevereiro, durante a divulgação de seus resultados de 2006.

A Basf anunciou esta semana reajustes de preços em duas de suas especialidades químicas (Polieteraminas e Isoporonediame). Segundo a Basf Brasil os reajustes anunciados na Europa serão feitos também no Brasil, onde a empresa comercializa estas especialidades importando-as de sua matriz, conforme informou a empresa.

kicker: Se a demanda e o preço seguirem firme no mercado europeu poderá haver nova alta de preços no Brasil em maio (Informou a Gazeta Mercantil)