Petróleo tem maior alta em seis meses
29/03/2007

O preço internacional do barril de petróleo disparou ontem. Além de registrar a sétima alta consecutiva nas bolsas, a commodity alcançou o seu maior valor em seis meses, principalmente porque é crescente a tensão no Oriente Médio com a captura dos 15 militares britânicos pelo Irã. O país muçulmano alega que os soldados navegavam em águas situadas no seu território.

Ontem, na Bolsa Mercantil de Nova York, a commodity do tipo WTI para maio deste ano foi negociada a US$ 64,08, aumento de US$ 1,15. Já na Bolsa Internacional do Petróleo de Londres, o tipo Brent também para maio foi vendido a US$ 65,78, com incremento de US$ 1,18.

"Essa alta é decorrente da situação no Irã. Até porque o país tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo e é o maior exportador do insumo para Ásia", afirma o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). "A chance de ocorrer um incidente militar no Golfo Pérsico é alto e a volatilidade registrada na noite retrasada é prova disso", diz John Kilduff, vice-presidente de gerenciamento de risco da Fimat nos Estados Unidos. O executivo faz referência ao valor praticado no pós-pregão de terça-feira passada, quando a commodity foi vendida a preços de US$ 68.

O professor de economia e política de negócios da escola suíça IMD, Ralf Boscheck, disse ao Valor que o preço do petróleo vive uma bolha. E afirma que o valor da commodity está ligada as expectativas e informações de mercado.

Boscheck, que publicou recentemente um estudo sobre o futuro da energia no mundo, conta que muitos fatores vão influenciar o segmento no futuro. E destaca três: o desenvolvimento do preço do petróleo e gás, as oportunidades para o suprimento do petróleo e a capacidade de conservação e substituição dos combustíveis.

No Brasil, a escalada do preço da commodity deverá reduzir a diferença entre o preço cobrado pelo litro da gasolina e do diesel por aqui e o praticado no exterior. Cálculos do diretor da CBIE mostram que essa diferença é apenas 2% maior, em relação ao preço do litro dos produtos no golfo americano, que seria o mercado de referência em caso da não-produção desses combustíveis no Brasil. O litro da gasolina, sem impostos e sem margem de distribuição, é de US$ 0,46 no país, e o diesel nas mesmas condições é de US$ 0,54.

Outro reflexo que deverá acontecer no país é o reajuste de preços no futuro. A filial local da sueca Nynas, que produz óleos usados por exemplo na indústria de pneus, afirma que se o petróleo continuar sua valorização, poderá haver algum incremento de preços em maio. Já a indústria petroquímica, que fomenta a cadeia de plásticos, não fala em reajustes. (Fonte: Valor Econômico)