Pólo do Sudeste pode sair em um ano
29/03/2007

O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou ontem que a estatal tem conversado com as petroquímicas Suzano e Unipar a fim de estabelecer o que chamou de "reorganização no setor" na região Sudeste em prazo entre seis meses e um ano. O diretor não adiantou se serão realizadas fusões entre as empresas ou acordos operacionais.

"As conversas iniciais estão sendo feitas no sentido de trilharmos caminhos para a consolidação de um pólo, como foi feito agora no Sul", disse Costa. "Não adianta nos iludirmos que empresas pequenas conseguem sobreviver nesse setor. Se não tivermos empresas fortes, a indústria nacional morrerá."

Em audiência na Câmara para discutir a compra do Grupo Ipiranga, Costa revelou que fará parte do pólo petroquímico do Sudeste o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), projeto da estatal para refino de petróleo pesado, que entrará em operação em 2012. Costa admitiu que a Petrobras poderá procurar outros sócios para o projeto, realizado hoje em parceria com o Grupo Ultra e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que custará R$ 8,5 bilhões. "Pode ser a Suzano ou a Unipar, mas também grupos estrangeiros."

O diretor informou ainda que a estatal estuda utilizar a refinaria do Grupo Ipiranga no Rio Grande do Sul para produzir biodiesel. Acrescentou que as três empresas que compraram a Ipiranga - além da estatal, o Grupo Ultra e a Braskem - devem fazer investimentos "pesados" que poderão diversificar a produção da refinaria. Os presidentes do Grupo Ultra, Pedro Wongeschowsky, e da Braskem, José Carlos Grubisich, trataram de tranqüilizar os deputados em relação a demissões na Ipiranga.

À frente do grupo que herdará os negócios de distribuição de combustíveis da Ipiranga no Sul e Sudeste, Wongeschowsky garantiu que não haverá cortes nessa área. "Nossa intenção não é só manter mas expandir os empregos na Rede Ipiranga", declarou, acrescentando que pretende continuar usando a marca Ipiranga nos postos de combustíveis.

Já a Braskem não foi tão enfática. Grubisich só disse que os investimentos dos três grupos na empresa farão com que o setor cresça, o que levará à criação de novos postos de trabalho. "Nosso compromisso é de crescimento e em petroquímica nada assegura mais emprego do que investimento", ressaltou o executivo. (Fonte: Gazeta Mercantil)