Executivos vão à Câmara explicar venda da Ipiranga
22/03/2007

A Comissão de Minas e Energia da Câmara aprovou convite para que os presidentes da Petrobrás, Braskem e Ultra debatam a compra da Ipiranga com os deputados, em audiência pública marcada para a próxima quarta-feira. Os convites para Sérgio Gabrielli (Petrobrás), Pedro Wongtschowski (Ultra) e José Carlos Grubisich (Braskem) foram aprovados na reunião de ontem da comissão.

Apesar de se tratar de convite, não de convocação, o presidente da comissão, deputado José Otávio Germano (PP-RS), disse que fez contato prévio com os executivos e acredita que todos vão comparecer.

A comissão também quer investigar se houve ou não vazamento de informações durante o processo de compra da Ipiranga. Os deputados aprovaram requerimento convidando o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Fernandez Trindade, para explicar a questão depois que for concluído a apuração iniciada pela CVM sobre a suspeita de vazamento.

Também foi aprovado um pedido de informações ao ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, para que ele envie o contrato de compra e venda feito pela Petrobrás, empresa subordinada ao ministério. 'É importante observarmos se houve algum tipo de vazamento de informação. Isso é grave. Os investidores precisam de segurança', argumentou Germano.

O presidente da comissão avaliou que o negócio das empresas 'tem tudo para ser considerado bom' e a audiência pública deverá esclarecer os termos do contrato firmado. 'É importante garantir os investimentos, saber qual o ganho da Petrobrás em se associar minoritariamente com a Braskem, que direitos ela terá no modelo de gestão e se houve vazamento de informações', disse Germano. O deputado quer discutir ainda a manutenção dos empregos nas unidades da Ipiranga.

MANTEGA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que recomendou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rigor e rapidez máxima nas investigações sobre os indícios de especulação nas ações da Ipiranga às vésperas do anúncio da venda do grupo para Petrobrás. 'A CVM é um órgão ligado à Fazenda. Eu entrei em contato com a CVM e pedi o máximo rigor na apuração dessa movimentação que foi identificada por ela', disse.

O ministro ressaltou que foi a própria CVM que identificou a movimentação atípica e abriu uma investigação para apurar o caso. 'O governo tomou a iniciativa (da investigação) e recomendei o rigor e rapidez máxima para apuração desses dados', disse ele.(Fonte: O Estado de S. Paulo)