Petrobrás, Ultra e Braskem vão dividir as empresas da Ipiranga
19/03/2007

A compra das Empresas Petróleo Ipiranga será oficializada hoje, em São Paulo, pela Petrobrás, Braskem e Grupo Ultra. Os detalhes do negócio, um dos maiores do setor químico e petroquímico dos últimos tempos, serão revelados a partir das 9 horas, em entrevista convocada pelas três companhias que vão concentrar as divisões da Ipiranga.

A área de distribuição de combustível fica com a Petrobrás e o Ultra, e a área petroquímica, com a Petroquisa, subsidiária da estatal, e a Braskem.

A aquisição, antecipada pelo Estado no sábado, foi selada na sexta-feira, em reunião do Conselho de Administração da Petrobrás, no Rio de Janeiro.Não se sabe o montante envolvido, mas o mercado estima em US$ 1,5 bilhão o valor da Ipiranga.

A antecipação da informação da venda causou agitação ontem no eixo Rio-São Paulo-Porto Alegre, onde estão as sedes dos grupos envolvidos no negócio. Petrobrás, Braskem e Ipiranga se esquivaram de comentar o assunto.

Uma porta-voz do Grupo Ultra em São Paulo informou, por meio de nota, que a empresa ' tem demonstrado, ao longo de seus 70 anos, opção estratégica por crescer, seja por via orgânica ou por aquisições' e 'trará informações ao público no momento adequado.'

O Grupo Ipiranga iniciou atividades como pequena refinaria de petróleo no Rio Grande do Sul em 1937 e completaria 70 anos no dia 7 de setembro. Hoje atua nacionalmente na distribuição de combustíveis e produtos químicos, petroquímica, refino de petróleo, produção de asfaltos e lubrificantes.

No ano passado, a companhia obteve receita líquida de R$ 21,6 bilhões, 13,4% superior à de 2005. O lucro foi de R$ 533,8 milhões, um aumento de 3,1% ante o ano anterior.

A Ipiranga é controlada por cinco grupos familiares: Tellechea, Ormazabaal, Gouvêa Vieira, Matos e Aguiar. São mais de 60 acionistas que, segundo fontes do mercado, queriam vender a companhia integralmente, não em partes, como já foi cogitado no passado.

REDE DE POSTOS

A divisão petroquímica do Grupo Ipiranga será assumida pela Braskem, maior companhia do setor na América Latina, controlada pelo Grupo Odebrecht, e pela Petroquisa.

A área de petroquímica é formada por três empresas: a Ipiranga Petroquímica (IPQ), com capacidade para produzir 700 mil toneladas de polietileno e polipropileno por ano em cinco unidades industriais no Pólo Petroquímico de Triunfo (RS); a Empresa Carioca de Produtos Químicos (EMCA), do Pólo de Camaçari (BA), responsável pela produção de óleos minerais e fluídos especiais; e a Ipiranga Química, que cuida da distribuição de produtos químicos e petroquímicos no Brasil.

A divisão de petróleo terá outro destino. Além da Ipiranga Asfalto e da Refinaria de Petróleo, com capacidade para refino de 12,5 mil barris por dia - localizada em Rio Grande (RS) -, o grupo tem duas empresas de distribuição de combustíveis e é hoje a segunda maior do País, atrás da BR. São mais de 5 mil postos no território nacional. Esse negócio deverá ser assumido pela Petrobrás e pelo Ultra.

Com a área de distribuição da Ipiranga, a Petrobrás poderá elevar o controle do mercado de combustíveis dos atuais 32% para 50%, participação que terá de ser submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Não há detalhes sobre o que deverá ocorrer com os negócios de gás natural e exploração de petróleo. A Ipiranga mantém participação de 20% na companhia Transportadora Sulbrasiliana de Gás (TSG) e detém mais 26% da Usina Termogaúcha.

Em prospecção de petróleo, o grupo mantinha fatia de 20% de uma área de exploração no Campo de Camamu e outros 40% num campo no Recôncavo Baiano.

AÇÕES EM ALTA


As ações da Ipiranga tiveram forte elevação na sexta-feira, o que alimentou rumores de que o negócio havia sido fechado. O principal papel da Ipiranga se valorizou 3,57%, num dia em que o índice Bovespa recuou 1,27%.

A Petrobrás chegou a disputar a Ipiranga com outras empresas, como a espanhola Repsol, em um processo de venda que movimentou o mercado de combustíveis no início da década. Outros grupos também manifestaram interesse, como a italiana Agip, a francesa Total Fina, a British Petroleum, do Reino Unido, e a americana ExxonMobil, dona da Esso.

As negociações, na época, não chegaram a nenhuma conclusão, segundo analistas, devido ao alto preço pedido pelos acionistas para a companhia, que enfrentava dificuldades financeiras.

Além disso, a intrincada teia de acionistas dificultava a melhor avaliação dos compradores. Nos últimos anos, porém, a Ipiranga passou por um intenso processo de saneamento financeiro.

Setor químico tem melhor janeiro desde 2000
Fonte: Diário do Grande AB
Data: 17/03/2007
A indústria química brasileira entrou em 2007 com o pé direito, ao registrar em janeiro o melhor índice de crescimento na produção para esse mês dos últimos sete anos. O bom desempenho – alta de 3,89% na comparação com janeiro de 2006 – refletiu uma melhora geral da demanda em diversos setores industriais brasileiros, somada à recomposição de estoques por parte dos clientes (outras indústrias) e desempenho favorável das exportações.
Os dados, da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), mostram que a perspectiva é de continuidade dos bons números observados na média de 2006. O indicador de produção do ano passado (alta de 3,79%) já era o melhor patamar médio em relação ao observado nos últimos sete anos.
O setor mostrou ainda uma recuperação após quedas nos últimos meses do ano passado. Após encerrar o período com índices negativos de 3,1% e de 2,92%, respectivamente, em novembro e em dezembro, houve elevação de 2,68% no primeiro mês de 2007 em relação a dezembro.
Junto com a alta na fabricação de produtos químicos, as vendas internas reagiram, subindo 3,66% em janeiro ante dezembro. Isso interrompeu quatro meses seguidos de declínio, o que comprova a melhora do mercado nacional do segmento.
Entre os subsetores que foram bem, um dos destaques foram as resinas termoplásticas (itens fabricados por companhias como a Suzano Petroquímica e Polietilenos União, ambas localizadas no Pólo de Capuava, no Grande ABC). Esses produtos, que são insumo para a fabricação de peças e embalagens de plástico, tiveram alta de 6,36% na produção no mês ante janeiro de 2007.
Capacidade - Um dos índices que mostrou retração em janeiro foi o nível de utilização da capacidade instalada das fábricas, que ficou em 83% (ou seja, 7% de ociosidade), dois pontos abaixo do mesmo mês de 2006 (85%).
No entanto, é preciso ressaltar que na maioria dos subsetores houve elevação da capacidade, com exceção de alguns com forte peso na amostra que tiveram paradas de manutenção. É o caso da área de solventes industriais da Rhodia Poliamida, de Santo André. (Fonte: O Estado de S. Paulo)