Argentina impulsiona receita da petroquímica brasileira
19/03/2007

O crescimento das exportações de produtos petroquímicos para a Argentina tem dado impulso à indústria petroquímica brasileira. Com aumento de vendas externas superior a 100% em produtos como benzeno, polietilenos e polipropileno, o setor aposta que esse mercado vai continuar crescendo nos próximos anos.
A atenção da indústria brasileira para o mercado vizinho, além de demonstrar a importância da Argentina nas vendas externas do setor, é conseqüência do cenário que marcará a indústria química argentina nos próximos anos. Com menor capacidade de oferta de gás natural, insumo utilizado na cadeia petroquímica daquele país, as empresas são obrigadas a adiar projetos de ampliação de capacidade, não acompanhando a demanda local, em alta, assim como a economia argentina.
Enquanto isso, empresas instaladas no Brasil, como Ipiranga Petroquímica (IPQ), Copesul e Oxiteno, aproveitam o bom momento da economia argentina - que na sexta-feira anunciou crescimento de 8,5% no ano passado - para ampliar as exportações. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, os polímeros de etileno, propileno e estireno foram o quarto item mais exportado para a Argentina em janeiro passado, com alta de 52% em relação a igual período de 2006.
A Oxiteno conta que está intensificando as apostas no mercado argentino, para onde são destinados de 30% a 35% das exportações da companhia. O gerente de Marketing da empresa, Hugo Ladeira, lembra que o crescimento das vendas efetuadas à Argentina, em 2006, foi quase duas vezes superior ao das feitas no Brasil. Para este ano, as previsões de Ladeira também são otimistas. Além da abertura de um escritório em Buenos Aires, que aconteceu no início deste mês, a Oxiteno já se prepara para ampliar sua oferta de óxido de eteno e álcoois graxos. As novas produções, em Mauá (SP) e Camaçari (BA), respectivamente, entrarão em operação ao longo deste ano. E com certeza a Argentina será um importante destino desse volume excedente, analisa Ladeira.
Os insumos fornecidos pela Oxiteno são absorvidos por indústrias que abastecem setores em crescimento na Argentina, como o automotivo e até mesmo a área agrícola.
Já Ipiranga Petroquímica - cujo controle pode ser comprado nesta semana (ver mais abaixo) - acredita que o mercado consumidor argentino se desenvolverá ainda mais com o fim do controle de preços no país vizinho. O gerente de Exportações e Planejamento de Novos Mercados da IPQ, Geraldo Markus, afirma que o governo argentino tenta evitar resjustes de preços e isso afeta produtos como as embalagens.
Esse acordo, no entanto, deverá ser revisto em meados deste ano. Caso a questão seja resolvida, as empresas argentinas poderão repassar seus custos, o que tornará o produto brasileiro ainda mais competitivo.
A IPQ já possui filial no país vizinho, mas não descarta uma atuação mais agressiva no mercado argentino no futuro. No longo prazo, a Argentina é nosso principal mercado exportador. Acreditamos que o cenário de vendas será ainda mais atraente daqui a três anos, diz Markus.
Para 2007, a intenção da companhia é ampliar as exportações para clientes argentinos em cerca de 15%, em volume. Isso, completa Markus, se as margens forem interessantes, ou seja, se a pressão da indústria química local para reajustar os preços tiver êxito.
Outra empresa que está ampliando as exportações é a Copesul, que abastece a Petrobras Energia no país vizinho. As vendas de benzeno à Argentina saltaram de 3 mil toneladas em janeiro de 2006 para 7,5 mil toneladas em janeiro de 2007, diz o gerente de Negócios de Petroquímicos Básicos da companhia, Silvio Cesar dos Santos. Segundo o Mdic, as exportações brasileiras de benzeno cresceram 164% em janeiro passado, na comparação com igual período de 2006. O volume negociado saltou de US$ 2,9 milhões para US$ 7,6 milhões.
Mas o executivo da Copesul destaca que, mais do que as vendas diretas à Argentina, que já respondem por quase 25% das exportações da empresa, a companhia é beneficiada indiretamente, pois fornece insumo a empresas como Braskem, IPQ e Petroflex. O vice-presidente de Relações Institucionais da Braskem, Alexandrino Alencar, lembra que o mercado argentino de resinas está crescendo na casa dos dois dígitos, ao mesmo tempo em que a capacidade de produção está chegando ao limite. As exportações brasileiras de polietilenos de baixa densidade linear (PEBDL) em janeiro cresceram 106,4% na comparação entre janeiro de 2006 e janeiro de 2007, saltando para US$ 5,88 milhões, segundo o Mdic. Já as exportações de polipropileno sem carga saltaram 175,8%, para US$ 3,12 milhões.
Exportações
As exportações totais de resinas em janeiro de 2007 cresceram 44,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, movimentando 107 mil toneladas, segundo dados do Sindicato das Indústrias de Resinas Plásticas (Siresp). A produção nacional, por sua vez, cresceu 4,8%, alcançando um volume de 393,9 mil toneladas. (Fonte: DCI)