Falta de nafta na Ásia faz preço chegar a US$ 650
12/03/2007

Na última semana os preços da nafta petroquímica sofreram um arranque nos três grandes mercados mundiais. Na Ásia, a nafta subiu US$ 35 em sete dias e atingiu um de seus recordes históricos alcançando US$ 650 no mercado japonês no dia 8 de março.

Nos EUA a alta foi de US$ 30 e o preço chegou a US$ 636 na sexta-feira. Na Europa a nafta sofreu alta de US$ 30 já na semana retrasada. Os preços na Europa desta última semana ainda não estavam disponíveis nos relatórios internacionais até sexta, mas executivos vêem os preços acompanhando as altas na Ásia e nos EUA.

O motivo das recentes altas é que o setor de fraccionamento de petróleo na Ásia, responsável por tirar do petróleo a nafta, está com 6,5% de sua capacidade paralisada este mês devido a paradas de manutenção. "O mercado europeu está enviando parte de seu excedente para a Ásia, o que o deixou aquecido", disse o gerente de marketing da Suzano Petroquímica, Sinclair Fittipaldi. "O problema é que em abril têm início as paradas na Europa. O que deixa o comprador apreensivo", disse Fittipaldi.

Há outros acontecimentos que inflaram o preço da nafta no mundo. "Nos EUA, o consumo de gasolina além da normal no início deste ano também ajudou na escassez de nafta", disse o sócio da consultoria MaxiQuim, Otávio Gattermann de Carvalho. Na região européia conhecida como ARA (Amsterdã, Roterdã e Antuérpia), os reajustes vieram antes e na semana retrasada o preço da tonelada de nafta subiu US$ 30, alcançando US$ 605.

A média de preços em fevereiro deste mercado foi de US$ 552 por tonelada. Reflexo no Brasil Estes reajustes de preço da nafta no mercado mundial só não refletem imediatamente do produto vendido no Brasil porque a Petrobras, única fornecedora nacional do produto, fixará seus preços para abril somente no último dia deste mês. A estatal brasileira faz o cálculo baseada principalmente na variação da nafta ARA. "Este forte aumento em um período tão curto é preocupante.

São altas em todos os mercados grandes com motivos diversos", disse Carvalho. Para executivos do setor, o preço da nafta brasileira atrelada ao preço europeu faz com que o empresário brasileiro pague pelas intempéries acontecidas no mundo. "Este mês houve falta de gasolina na Índia e o País usou mais nafta para misturá-la na gasolina. Isso também refletirá no preço da nafta no País", disse o co-presidente da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho.(Fonte: Gazeta Mercantil)