Setor investe para impulsionar pólo de plásticos do ABC
08/03/2007

O setor privado da petroquímica fará investimentos inéditos de R$ 4 milhões, juntamente com o Internacional Finance Corporation - braço privado do Banco Mundial -, prefeituras, SebraeSP e Fatecs no Arranjo Produtivo Local (APL) do Plástico do Grande ABC. O objetivo é transformar o pessoal ocioso do ex-pólo de produção automobilística em mão de obra especializada para produzir e exportar produtos plásticos acabados.

O ABC paulista responde hoje por 60% da produção nacional de plásticos acabados mas vem se deteriorando ano a ano pressionado pelo poder das grandes resineiras vendedoras e de grandes redes ou montadoras compradoras de seus produtos. A atividade de transformação, ou terceira geração petroquímica, é hoje a área na qual China e Índia mais investem em projetos de APLs como estes ou de cooperativismo.

A Suzano Petroquímica responderá por R$ 1 milhão deste investimento, O IFC por mais R$ 1 milhão e o Sebrae por R$ 900 mil. O restante são recursos em forma de infra-estrutura ou centros de instrução de prefeitura e do Estado. Há 500 micro, pequenas e médias empresas que transformam as resinas de polietileno, polipropileno, PVC e outras resinas em autopeças de plástico, embalagens, brinquedos e todo tipo de manufatura sintética no ABC. Mais de 90% são pequenas.

O APL já investiu R$ 400 mil desde que entrou em operação, há alguns meses, e contratou consultorias especializadas, caso da Maxiquim, além de fazer melhorias em estruturas públicas. O APL traçará, durante o mês de abril, metas de aumento de produtividade até 2009, quando completa o investimento. "A quantidade de transformadores vem caindo e a energia que deveria ir para melhorias comerciais e de produção é gasta fazendo contas de tributos e tentando combater o câmbio alto", disse o presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas, José Ricardo Roriz Coelho.

"Usaremos o alto nível de formação na região deixado pelo desenvolvimento que já houve e direcionaremos à petroquímica". O executivo, também co-presidente da Suzano, disse que este arranjo traz, indiretamente, investimentos de todas as petroquímicas que atuam na região, que é o maior mercado consumidor de produtos acabados no País. "Trará aporte indireto agora e é aberto à colaboração de todas as empresas, como é o perfil de um APL."

O ABC tem perfil diferenciado de transformação do resto do País. "No ABC 38% do faturamento das empresas vem de componentes para a indústria automobilística. No Brasil isso é 15%. Vamos crescer de acordo com a peculiaridade da região", disse o coordenador do APL, Joelton Gomes Santos. Segundo ele, as consultorias vão operar em três frentes: instrução sobre melhorias organizacionais, gerenciamento e organização de produção e gestão financeira e de mercado.

Segundo o executivo a APL se baseia em programas parecidos promovidos na Itália, onde há um distritos que produz 40% das meias consumidas no mundo, ou pólos de cooperação da China, onde a cidade de Guangdong produz metade dos brinquedos consumidos no mundo. O APL pretende preparar a região para as ampliações que chegam até 2008. Em Santo André haverá expansão de petroquímicos básicos, polietilenos e PVC de PQU, Polietilenos União e Solvay. Mauá terá mais produção de polipropileno da Suzano.

O consumo de resinas pelas trasformadoras de plástico do ABC cresceu 2,3% na comparação entre o ano de 2000 e o de 2005, acima dos 2% do Estado de São Paulo porém abaixo dos 10,4% de Santa Catarina e dos 2,9% do Rio Grande do Sul. "O motivo é a tributação do ICMS, que em estados como Bahia e Rio de Janeiro caíram para próximo de 10% e em São Paulo ainda é de 18%", disse Roriz. No dia 12 deste mês haverá o lançamento do APL com a presença de autoridades do Estado, prefeituras e petroquímicas. Há expectativa do anuncio medidas de redução do ICMS.(Fonte:Gazeta Mercantil)