M&G planeja ampliar uso do PET em alimentos e bebidas
01/03/2007

Ao decidir instalar sua maior fábrica no Brasil, o grupo italiano Mossi&Ghisolfi está de olho na ampliação do uso de embalagens e garrafas PET em produtos para os setores de alimentos, bebidas e de beleza, como cerveja, molho, geléia e xampu.


Ontem, a M&G inaugurou em Ipojuca (PE) uma fábrica com capacidade para produzir 450 mil toneladas de resina PET por ano. Essa produção equivale a pouco menos do que todo o consumo brasileiro do insumo, sendo que metade desse volume é mantido por importações.


"O uso de PET no Brasil ainda pode crescer muito, principalmente se começar a ser usado pelo setor cervejeiro", diz Marco Ghisolfi, presidente da unidade de polímeros da M&G. Esse tipo de material tem sido mais usado em refrigerantes, óleos e água.


Ele afirma que a resina que será fabricada pelo grupo italiano é pouco permeável à luz, ao contrário dos insumos importados atualmente "Essa nova tecnologia não deixa a cerveja ficar ´choca´, com a vantagem de ser leve, inquebrável e transparente", argumenta o executivo.


Diante da perspectiva de novos usos do PET no Brasil, Ghisolfi afirma que a M&G não deve exportar a resina a partir daqui. Ele explica que a M&G já está em conversações com alguns fabricantes de cerveja. Mas, para conseguir levar o mercado cervejeiro a trocar o vidro pelo plástico, a M&G ainda vai enfrentar muita polêmica no país.


Duas pequenas cervejarias que optaram pela garrafa PET, a Atlas e a Belco, sofrem questionamentos do Ministério Público Federal, que pede estudos ambientais sobre o impacto que o material teria no ambiente. Com baixo índice de reaproveitamento, o PET seria mais poluidor do que o vidro.


Esse, entretanto, não é o único obstáculo que a M&G enfrentará no Brasil. Atualmente, os consumidores de resina discutem uma norma que os obriga a comprar pelo menos metade do material no Brasil, regra conhecida como Processo Produtivo Básico. Com isso, de acordo com esses fabricantes, a M&G ficou com o monopólio do mercado, o que tem feito os preços internos subirem.


Além disso, os argentinos reclamam das tarifas antidumping que o Brasil colocou nas importações do seu país. Tanto o PPB quanto as barreiras contra a Argentina foram impostas depois que a M&G decidiu vir ao Brasil.


Inicialmente, a M&G planejou também instalar no país uma fábrica de PTA (ácido tereftálico purificado) em parceria com a Petrobras. Ontem, porém, a petrolífera anunciou o empreendimento sem a sócia italiana.


De acordo com Ghisolfi, a M&G é contrária à instalação de uma unidade de PTA sem que uma refinaria esteja no local para fornecer a matéria-prima para produção. "Se a Petrobras esperar, podemos entrar juntos no projeto. Do contrário, ela que faça sozinha. Para nós independe quem será o fornecedor do produto", explica Ghisolfi. (Fonte: Valor Econômico)