Suzano intensifica estudo para nova fábrica
01/03/2007

São Paulo, 28 de Fevereiro de 2007 - O aporte, que inclui também ampliação da produção em Camaçari, soma US$ 371 milhões. A Suzano Petroquímica apresentou oficialmente ontem os detalhes sobre os estudos para a construção de uma fábrica de polipropileno no Estado do Paraná e para a ampliação da capacidade de produção da mesma resina da unidade de Camaçari (BA). O Conselho de Administração da companhia deu sinal verde para a empresa intensificar os estudos dos dois projetos, orçados em US$ 371 milhões, que serão realizados entre os anos de 2008 até 2012.
A empresa acredita que 2012 será um bom ano para a entrada dessa capacidade adicional em razão da evolução da demanda, alavancada pela perspectiva da Suzano de crescimento da economia brasileira de 3,5% a 4% por ano até 2012. E com a elasticidade de 2,5 a 3 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do polipropileno, a demanda pela resinas deve crescer de 8% a 10% ao ano nesse período. Já a expectativa de crescimento da demanda mundial de polipropileno é de 6% ao ano entre 2005 e 2011, liderado pela Ásia.
A capacidade de produção da Suzano Petroquímica (polipropileno, polietileno e elastômeros) vai aumentar 49,8%, passando de 981 mil toneladas em 2006 para 1,47 bilhão de toneladas em 2012. Em 10 anos, a produção da empresa crescerá 3,5 vezes - em 2002 eram 425 mil toneladas. Esses dados computam a participação da empresa na Rio Polímeros (RioPol) e na Petroflex.
Segundo o co-presidente da Suzano Petroquímica, João Pinheiro Nogueira Batista, a empresa, que possui também fábricas em Mauá (SP) e Duque de Caxias (RJ), já tem garantido o fornecimento da matéria-prima (propeno) em contratos de longo prazo com a Braskem, para Camaçari, e com a Petrobras, no Paraná, através da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), instalada na região metro-politana de Curitiba, no município de Araucária, sudeste do Paraná. O contrato com a Petrobras é de 15 anos a partir do início do fornecimento do insumo.
A fábrica do Paraná terá aporte de US$ 216 milhões e 200 mil toneladas de capacidade de produção de polipropileno, com previsão de entrada em operação em 2012. A unidade faz sentido pela racionalidade de movimentação de matéria-prima. Como a empresa já tem a garantia de propeno da Repar, será mais barato produzir no Estado ao invés de transportar o insumo para as fábricas de São Paulo ou Rio. "Porque não produzir lá, existe um mercado interno bom e temos matéria-prima no Paraná", disse o co-presidente da companhia, José Ricardo Roriz Coelho
No pólo petroquímico de Camaçari, o projeto tem duas fases. A primeira visa a modernização com a troca de equipamentos, o que reduzirá os custos variáveis da fábrica em 12% e os custos fixos em 20%. Esse processo, que receberá US$ 97 milhões, deve ser encerrado em 2010.
Na segunda fase, a empresa vai investir US$ 58 milhões para desgargalar a unidade das atuais 125 mil toneladas para 200 mil toneladas anuais de polipropileno, com início de operação em 2012. A ampliação permitirá à Suzano produzir resinas de maior valor agregado - a fábrica baiana é focada atualmente na produção de commodities. "O foco é tirar o máximo possível dos ativos atuais para depois investir em novas unidades", disse Roriz Coelho.
Batista observou que a entrada em operação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), parceria entre grupo Ultra, Petrobras e o BNDES, que será erguido em Itaboraí (RJ), não significará concorrência aos projetos da Suzano porque só acontecerá depois de 2012. Batista afirmou que a Suzano em breve vai se reunir com a Petrobras para ter acesso aos detalhes do projeto e desta forma poder estudar sua participação. "Será uma plataforma importante de acesso à matéria-prima. Se a Petrobras disponibilizar os insumos a um preço competitivo, será ótimo para a indústria", disse Batista. (Fonte: Gazeta Mercantil)