Bolívia deve ser sócia de brasileiras em pólo
22/02/2007

São Paulo E La Paz, 22 de Fevereiro de 2007 - A petrolífera estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) poderá tornar-se sócia da Petrobras e da maior petroquímica do Brasil, a Braskem, no projeto de construção de um pólo para fabricação de polietilenos - matéria-prima para a indústria de sintéticos -, a partir do gás natural boliviano, na região de fronteira entre os dois países. O projeto, em estudo, até agora é uma parceria da empresa brasileira com a Petrobras. Conforme informou este jornal na semana passada, a visita do presidente Evo Morales ao Brasil foi também uma retomada de conversações mais objetivas com o país vizinho sobre a viabilidade do pólo gás-químico.

O projeto estava "congelado" desde que Morales anunciou a nacionalização dos recursos naturais da Bolívia. O ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, disse ontem à agência de notícias "Reuters" que a Braskem fez uma apresentação preliminar de seu projeto na semana passada e propôs formalmente que a petrolífera estatal boliviana YPFB participe do plano. Segundo o vice-presidente de relações institucionais da Braskem, Alexandrino Alencar, a hipótese de a YPFB ser sócia no pólo nunca esteve descartada desde a formação do projeto. Ao ser indagado se trazer a estatal boliviana ao negócio seria uma forma de ter mais segurança, o executivo disse que "mais do que isso, hoje é de interesse do governo boliviano trazer a industrialização para perto de sua fonte de gás".

O ministro boliviano disse que espera receber em março uma delegação da Braskem para analisar o projeto, que prevê investimento de US$ 1,4 bilhão no pólo gás químico. "Decidimos que na primeira ou segunda semana de março eles visitarão a Bolívia e farão uma apresentação (...) para conhecermos os detalhes dos aspectos técnicos, econômicos, financeiros, e a proposta da empresa", disse Villegas. O gás natural é o principal produto boliviano de exportação - com previsão de movimentar US$ 2 bilhões em 2007 ainda que sem contar valor agregado - e sua industrialização tem sido classificada como prioritária por Morales. Villegas disse que a proposta da Braskem é respaldada tanto pela Petrobras, que anunciou recentemente a retomada de investimentos na Bolívia, como pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vamos ter resultados mais concretos ao longo de março para ver se optamos ou não pelo projeto de industrialização", disse o ministro boliviano. kicker: A estatal boliviana YPFB pode se juntar à Braskem e à Petrobras na construção de um pólo gás-químico na região de fronteira (Fonte: Gazeta Mercantil)