Setor petroquímico aumenta investimentos este ano
22/02/2007

As maiores petroquímicas do País vão ampliar seus investimentos em até 300% este ano - principalmente em expansão de produção e melhorias logísticas - para elevar seus lucros, achatados pelos picos altos no preço do barril de petróleo em 2006. O investimento ocorre em um momento no qual o mercado doméstico acaba de sair de um ano de forte desaquecimento e também de excesso de oferta devido à entrada em operação da Rio Polímeros. Mesmo com a super oferta a aposta dos presidentes das principais empresas do setor é que o Produto Interno Bruto do País (PIB) crescerá mais do que os 3,5% previstos para 2007 pelas 100 instituições financeiras consultadas pelo Banco Central.

As maiores indústrias que já anunciaram seus investimentos até ontem como Suzano Petroquímica, Braskem, Ipiranga Petroquímica e Grupo Ultra representam uma das cadeias de capital mais intensivo do País: a de produtos e subprodutos sintéticos usados para fazer desde sacolas de supermercado até insumos para a indústria farmacêutica e de construção civil.

Um dos investimentos anunciados cresce além de 300%, na comparação anual. A Ipiranga vai partir de um aporte de R$ 16,3 milhões em 2006 para R$ 60 milhões este ano para melhorar e ampliar a produção e também para melhorar a logística. “Há super oferta de resinas no País e temos de olhar isso com cuidado, porém as perspectivas de crescimento da economia nos mostram a possibilidade de que todas as ampliações sejam absorvidas por uma demanda maior”, disse o diretor superintendente da Ipiranga Petroquímica, Alfredo Lisboa Ribeiro.

As resinas termoplásticas têm sua maior escala de produção e também seu maior crescimento potencial em produtos como embalagens de alimentos, autopeças de plásticos composto e também embalagens do tipo PET. Esses produtos estão diretamente ligados ao aumento da renda e do consumo de classes mais populares e seu maior poder de compra.

“Investimos no ano passado R$ 32,1 milhões e vamos investir este ano R$ 60 milhões. Não vamos mudar os planos devido ao risco de super oferta porque acreditamos em uma nova fase de crescimento para o setor e em um aumento no PIB de até 4% para este ano”, afirmou o vice-presidente da Suzano Petroquímica, João Nogueira Batista.

A Suzano também está investindo na elevação da capacidade de suas unidades e em um novo terminal marítimo próprio. Já a Braskem, maior petroquímica do País, embora tenha sido a única das grandes a reduzir previsão de investimento, dos R$ 719 milhões de 2006 para R$ 550 milhões em 2007, pode anunciar novos aportes durante este ano, caso deslanche dois projetos, de R$ 2,5 bilhões, no total, que a empresa pretende dar início na Venezuela com as estatal de petróleo PDVSA e de petroquímicos Pequiven.

“Mesmo com a Rio Polímeros tendo entrado no mercado e com a grande oferta que causou os preços tenham ficado estagnados na primeira metade de 2006, pelo crescimento que prevemos da economia e conseqüentemente da demanda por resinas precisaríamos de duas novas Rio Polímeros em volume de produção nos próximos anos”, disse o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich.

O Grupo Ultra, outro grande ator do mercado de resinas plásticas e também de especialidades petroquímicas, vai elevar o investimento de seu braço petroquímico, a Oxiteno, de R$ 179 milhões em 2006 para R$ 414 milhões este ano.

Lucro menor

Quando somados, o lucro líquido das grandes petroquímicas anunciados até ontem (Braskem, Suzano, Ipiranga, Grupo Ultra e Copesul) caiu quase 70% em 2006, para R$ 1,02 bilhões. “Esse resultado deve se recuperar pois a demanda por resinas cresce historicamente o dobro do que cresce o PIB do País. Este ano a demanda poderá ultrapassar esta proporção”, observou Max Bueno, analista financeiro da Corretora Spinelli.

Segundo Bueno, um do motivos é a nafta bem mais barata no início deste ano. “Nas últimas duas semana o spread da resina de polipropileno (de US$ 730 por tonelada) caiu 7% pela alta do petróleo, e mesmo assim o spread está 30% maior do que no primeiro trimestre de 2006. As empresas estão usando sua capacidade em um nível historicamente elevado, cerca de 90% e isso deve continuar assim por ao menos mais dois anos.” (Fonte: Gazeta Mercantil)