Cenário externo impulsiona resultados de petroquímicas
08/02/2007

Os balanços das empresas petroquímicas que começarão a ser divulgados hoje, com os dados da Braskem, refletirão uma expressiva melhoria no cenário para o setor no quarto trimestre do ano passado. O período foi caracterizado pela redução no custo das matérias-primas e elevação no preço das resinas termoplásticas, ao mesmo tempo em que a demanda pelo insumo manteve seu ritmo de crescimento.

O preço da nafta, principal insumo da cadeia petroquímica, teve retração de US$ 660 por tonelada em agosto para US$ 515 por tonelada ao final do ano, destaca a diretora de economia e estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fátima Giovanna Corriello. No mesmo período, as indústrias de segunda geração petroquímica, como Braskem e Suzano Petroquímica, anunciaram três reajustes consecutivos para os transformadores plásticos.

O diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, Otávio Carvalho, no entanto, ressalta que o terceiro reajuste proposto aos transformadores, anunciado para outubro, não chegou a ser implantado. “Os preços médios de polipropileno (PP), por exemplo, tiveram alta de 8% em agosto e 7% em setembro, mas se mantiveram estáveis em outubro”, diz.

A necessidade vista pelas petroquímicas em elevar os preços das resinas foi conseqüência da alta nos preços do petróleo e da nafta no primeiro semestre de 2006. O valor médio do barril de petróleo do tipo Brent saiu de US$ 63,7 em janeiro para US$ 74 em agosto. A nafta, por sua vez, saltou de US$ 475 por tonelada para US$ 658 por tonelada, em igual comparação. No mesmo período, a Rio Polímeros (Riopol) iniciou suas operações comerciais, ampliando a oferta de resina no mercado e dificultando o repasse de preços.

Apesar do reajuste, a demanda pelo insumo se manteve aquecida na segunda metade do ano, o que permitiu às petroquímicas ampliar suas margens. Segundo dados da Abiquim, o consumo interno de resinas (sem contar dados da resina PET) no último trimestre totalizou 985,8 mil toneladas, alta de 3% em relação a igual período de 2005. O resultado, que poderia ser considerado modesto, foi influenciado pela decisão de alguns transformadores de adiar a compra de resinas e trabalhar com parte dos estoques para aguardar uma retração no preço das resinas. A tática deu certo: os preços médios de PP tiveram retração de 4% em novembro e de 3% em dezembro, segundo dados da MaxiQuim.

Com os transformadores nacionais limitando as compras e trabalhando com os volumes em estoque, as petroquímicas buscaram no mercado externo opções de negócios. De acordo com a Abiquim, as exportações das principais resinas produzidas no País, exceto o PET, totalizaram 353,3 mil toneladas no quarto trimestre de 2006, volume 30% superior ao exportado no trimestre anterior e 82% maior do que o registrado em igual período de 2005.

Ao final de 2006, as exportações de resinas termoplásticas cresceram 22% em 2006 e atingiram novo recorde, superior a 1,1 milhão de toneladas. O consumo aparente no Brasil, por sua vez, teve crescimento de 9,41% em relação a 2005, superando o volume de 4,1 milhões de toneladas.

Para Carvalho, mais importante para as petroquímicas do que o aumento das vendas de resinas foi justamente a forte queda no preço da nafta registrada no segundo semestre. Por causa disso, o balanço do ano pode ser considerado positivo, tendo o cenário no segundo semestre amenizado as dificuldades das empresas no primeiro semestre. Fátima Corriello, da Abiquim, lembra que cerca de 55% das resinas comercializadas no ano são vendidas entre julho e dezembro.

Otimismo

Após um ano de forte demanda por resinas, as petroquímicas mantêm o otimismo para 2007. O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, acredita que os setores plástico e petroquímico devem crescer de 10% a 12% este ano, em relação a 2006. Para se adequar a esse cenário, a Braskem antecipou de 2007 para dezembro de 2006 uma parte da paralisação prevista para a unidade de Olefinas 1, localizada em Camaçari (BA) e onde são fabricados itens como etileno e propeno.

Já o presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp) e co-presidente da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho, acredita que o consumo aparente de resinas no Brasil deverá ter expansão superior a 8% em volume este ano. O otimismo dos executivos também reflete os bons indícios de negócios do setor no mês passado. Com estoques baixos, os transformadores voltaram a ampliar a demanda interna, segundo informações de pessoas ligadas ao mercado.(Fonte:DCI)