Petroquímica importa nafta e eleva estoques para melhorar resultado
29/01/2007

As petroquímicas brasileiras começam a divulgar seus resultados na próxima semana, que podem apresentar os primeiros reflexos da queda no preço do barril de petróleo. Algumas podem relatar uma planilha de custos menos pesada. Quando o preço do barril começou a cair em meados do último trimestre as centrais petroquímicas estocaram nafta (sua principal matéria-prima) para aproveitar o bom momento e elevaram as importações, já que o preço lá fora estava melhor. Em outubro, alcançaram o segundo maior nível mensal em 2006 de compras no exterior: foram 3,2 milhões de toneladas e um dos maiores volumes mensais de nafta importada desde que a Petrobras permitiu as compras externas do produto, em 2000.

Como o preço do barril não voltou a subir e até continuou caindo, em novembro as petroquímicas derrubaram as importações e compraram apenas 743,2 mil barris de nafta. Desta vez o volume mais baixo desde setembro de 2001 e um dos menores desde que a Petrobras permitiu que as petroquímicas brasileiras trouxessem o derivado do exterior. Os dados de importação são do último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A queda nas importações em novembro também teve como motivo, mas de menor impacto, a parada de manutenção feita pela Braskem em dezembro.

Segundo especialistas e executivos do setor, a forte oscilação nos preços do barril de petróleo fará com que, a partir deste ano, as petroquímicas fiquem cada vez mais ágeis nas decisões sobre quanto de nafta compram da Petrobras e quanto adquirem no exterior.

"Hoje cada dólar de diferença conta muito para essas empresas", disse o sócio diretor da consultoria especializada Maxiquim, Otávio Gattermann de Carvalho. O preço é preponderante na decisão, pois a diferença logística entre comprar da Petrobras e de empresas do exterior nem sempre é tão relevante, já que 47% da nafta importada em 2006 veio da Argentina, de onde um navio pode chegar a uma central petroquímica no Brasil em apenas 15 dias.

A favor do fornecedores de países mais distantes estão os prazos de pagamento mais alongados, além de preços menores. O Brasil importa da Argélia, responsável por 20% das compras brasileiras realizadas no ano passado; e da Nigéria, de onde vieram 7% da nafta trazida do exterior em 2006.

Executivos concordam que a rapidez para comprar melhor fará a diferença. "De fato, a agilidade em escolher com rapidez a melhor origem da nafta significa números melhores no final do trimestre", disse uma fonte da indústria, que preferiu não ser identificada. As centrais petroquímicas que têm infra-estrutura para importar (como Braskem e Companhia Petroquímica do Sul - Copesul) compram hoje mais de 50% de sua nafta da Petrobras e o restante, cerca de 40%, de nafta importada e também de condensado de gás natural.

Este último, gás natural liqüefeito, pode substituir a nafta, fracionada para obter eteno e outros gases ou líquidos, que são a matéria-prima básica na fabricação das resinas termoplásticas e quase todos os produtos sintéticos.

No acumulado de 2006 até novembro, segundo a ANP, houve ligeiro aumento na importação de nafta em relação a 2005. Foram importados 24,7 milhões de barris de nafta até novembro ante 24,5 milhões de barris no mesmo período de 2005. (Fonte: Gazeta Mercantil)