Riopol mais agressiva para crescer
11/01/2007

Rio, 11 de Janeiro de 2007 - Muito mais do que uma simples troca de cargos, a ida de Eduardo Karrer no próximo dia 22 para o comando da Rio Polímeros (Riopol), oficializada esta semana, representa um importante movimento da holding controladora do Pólo Gás-químico do Rio em busca de um posicionamento de mercado mais agressivo. Dispostos a compensar o atraso de um ano na implantação do empreendimento, que custou US$ 100 milhões a mais do que o previsto originalmente, os sócios do projeto (Petrobras, BNDESpar, Unipar e Suzano Petroquímica) decidiram iniciar este ano a reestruturação administrativa,, com um executivo mais acostumado a ambientes de acirrada competição.

Embora a sucessão já estivesse prevista desde 2004, quando João Brandão assumiu o cargo de diretor-superintendente da RioPol, ganhou urgência à medida em que os sócios percebiam a necessidade de pelo menos minimizar os fracos resultados de 2006. Apesar de a safra de balanços ruins resultar muito mais da conjuntura nacional de pífio crescimento, o fraco desempenho da RioPol não ajuda a necessidade de retorno de quem investiu US$ 1,1 bilhão no Pólo.

Não que a responsabilidade pelo atraso ou o fraco desempenho da RioPol se devesse à gestão de Brandão. A gratidão com o trabalho do executivo é tanta que Brandão, quadro histórico da Petrobras, será reincorporado à estrutura da área internacional da estatal. O presidente da Petroquisa - braço petroquímico da Petrobras -, José Lima de Andrade Neto, confirmou que a substituição já estava prevista desde que Brandão assumiu o comando da RioPol.

"A missão de Brandão, até pelo perfil dele, era implantar o projeto da complexidade do Pólo do Rio, processo no qual foi muito bem sucedido", justificou Andrade Neto. "Agora, o desafio é outro. É consolidar o pólo comercialmente.

Mudança na El Paso

A mudança, segundo executivos do setor petroquímico, diz mais sobre o futuro do setor elétrico brasileiro do que propriamente da petroquímica. A saída de Karrer da El Paso consolida a tendência de desinvestimento da empresa americana no setor elétrico brasileiro. Insatisfeita com os rumos tomados desde o racionamento de energia, em 2001, a empresa do Texas já começou a vender ativos de geração elétrica no Brasil. Diante da consolidação do conceito de modicidade tarifária, introduzido pelo governo Lula, o objetivo da El Paso, agora, é concentrar-se exclusivamente no setor petrolífero, por meio da descoberta e produção de reservas de gás natural.

Nessa área, os americanos preferem ter controle direto, o que reduziu a margem de manobra de Karrer na companhia.

kicker: Eduardo Karrer deixa a El Paso e assume este mês o comando da companhia na qual foram investidos cerca de US$ 1 bilhão (Fote: Gazeta Mercantil)