GE pode vender divisão de plásticos por US$ 10 bilhões
11/01/2007

A General Electric Co. (GE) está

interessada em receber ofertas de até US$ 10 bilhões pela compra de sua divisão de plásticos, disseram pessoas diretamente envolvidas na oferta. Elas atribuíram a decisão da empresa às dificuldades que ela tem enfrentado devido aos custos crescentes dos produtos químicos derivados do petróleo.

Empresas de participações poderão se candidatar à aquisição, disseram essas pessoas, que pediram para não ter seus nomes divulgados devido à natureza reservada das conversações. Russell Wilkerson, porta-voz da GE, preferiu não comentar os possíveis planos para a divisão, operante há 77 anos, que ainda fabrica produtos criados pelos experimentos do fundador da GE, Thomas Edison, como as lâmpadas elétricas de filamentos plásticos.

Os lucros da divisão de plásticos da GE caíram 23% no terceiro trimestre com a alta dos custos das matérias-primas. O principal executivo da empresa, Jeffrey Immelt, disse no mês passado que a divisão de plásticos está “em situação difícil” e que ele não estaria necessariamente comprometido em esperar pela melhoria dos destinos da unidade.

“É bom ver a empresa se afastar de divisões de baixas margens de lucro como esta”, disse Mike McGarr, analista da Becker Capital Management de Portland, no estado norte-americano do Oregon, que detém cerca de 800 mil ações da GE. “Boa parte do grande esforço empreendido pela GE está começando a dar alguns frutos, e estamos satisfeitos com o que Immelt fez em conduzir a empresa rumo aos setores de serviços e infra-estrutura”, avaliou.

Desde que se tornou o principal executivo da GE, em 2001, Immelt gastou quase US$ 70 bilhões em aquisições para ingressar em áreas de crescimento mais acelerado, como a de saúde. Além disso, ele vendeu ativos voláteis ou intensivos em utilização de capital, como a divisão de seguros.

Caso extraordinário

No mês passado, Immelt previu um crescimento de 13% nos lucros da GE este ano. Analistas estimaram, na média, lucro de cerca de US$ 21 bilhões no ano passado e de US$ 23,4 bilhões em 2007, de acordo com informações compiladas pela Bloomberg.

A unidade de plásticos é um ponto negro. No trimestre terminado em setembro, o custo do benzeno, o principal material à base de petróleo usado na fabricação de plástico, subiu 31%.

“Nossa participação de mercado ainda é boa, nós ainda dirigimos o negócio bem, mas este é só um caso extraordinário em que estamos”, disse Immelt em encontro com investidores em dezembro.

Aos 50 anos, Immelt e seu predecessor Jack Welch adquiriram sua experiência inicial de administração na divisão de plásticos da GE, com sede em Massachusetts. Charlene Begley, uma das mais bem-conceituadas mulheres dentro da GE, gerencia a divisão desde 2005. A unidade fabrica diversos materiais plásticos utilizados desde CDs até capacetes de astronautas, além de plásticos commodities para eletrônicos.

As negociações ainda estão em um estágio inicial, segundo uma das fontes. O Goldman Sachs Group Inc., contratado para procurar compradores, está restringindo a possibilidade de empresas de participações formarem grupos no leilão, segundo duas pessoas ouvidas. Essa restrição pode estar relacionada com a possibilidade de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigar possíveis comportamentos anticompetitivos das companhias de participações, que comumente se unem para compras multibilionárias. Uma venda pode gerar um pesado custo com impostos, uma vez que a GE possui a unidade por um longo tempo e provavelmente a contabiliza por menos da metade de seu valor atual, disse uma das pessoas.

A unidade de plásticos deve ter tido um lucro operacional de US$ 738 milhões no ano passado, com vendas de US$ 6,7 bilhões, segundo os analistas do Citigroup Jeffrey Sprague e P.J. Juvekar, em nota de 13 de dezembro. Uma venda pode cortar de três a quatro centavos de dólar do lucro em 2007, disse Sprague, sobre sua estimativa de US$ 2,22 por ação.

“A performance cronicamente desapontadora da divisão de plásticos da GE aumenta as probabilidades de que o negócio seja vendido”, disseram os analistas. Segundo eles, a alemã Basf AG e a norte-americana Dow Chemical Co., as duas maiores companhias químicas do mundo por receita, são as mais prováveis compradoras.

A Saudi Basic Industries Corp., a maior do setor no mundo por valor de mercado, disse no mês passado que poderia fazer uma oferta pela divisão de plásticos da GE caso fosse colocada à venda. Fonte: DCI)