Disputa no Mercosul envolve briga de empresas americana e européia
08/01/2007

A disputa aberta pelos argentinos contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa de uma sobretaxa de importação de uma resina é, também, uma briga entre uma empresa americana, a Eastman Chemical Company, e o grupo europeu M&G, pelo controle do mercado sul-americano.


Buenos Aires abriu consultas contra o Itamaraty na entidade máxima do comércio alegando que a barreira imposta pelo País na importação da resina PET - sigla de polietileno tereftalato, usada nas embalagens de refrigerantes e água - seria ilegal. De acordo com Brasília, os argentinos, por meio da Eastman, estavam exportando o produto a um preço inferior ao que praticavam internamente, o que seria caracterizado como dumping e uma estratégia para ganhar mercado.


Segundo assessores europeus da M&G Fibras e Resinas, empresa italiana que está no Brasil e se beneficia da existência da barreira contra a Argentina, a companhia está prestes a inaugurar a maior usina de produção de PET do mundo. A fábrica, que está em construção há três anos, será instalada na cidade de Ipojuca, em Pernambuco, e promete abastecer o mercado brasileiro e ainda produzir um volume suficiente para exportar. A companhia também negociou acordos com a Petrobrás.


LIDERANÇA


Hoje, a M&G já controla cerca de 60% do mercado brasileiro, depois de ter adquirido a totalidade das ações da Rhodia-Ster em 2002. Mas garante que a decisão de iniciar obras para construir a maior fábrica do mundo em Pernambuco não levou em conta a proteção oferecida pela sobretaxa imposta pelo governo brasileiro sobre a sua concorrente americana. “O projeto de construir a fábrica é de 2004, e a sobretaxa foi aplicada em 2005”, disse um representante da companhia na Europa.


Mas fontes do Ministério do Desenvolvimento apontam que as primeiras movimentações contra a empresa na Argentina são anteriores a 2005. A M&G foi quem levantou a queixa ao governo brasileiro e pediu medidas contra as importações da Argentina.


Já a Eastman, empresa na Argentina que quer o fim da barreira imposta pelo Brasil, é de capital americano e atualmente ocupa a posição de líder no mercado mundial. Mas, com a barreira imposta pelo Brasil no início de 2005 de cerca de US$ 641 por tonelada, a Eastman foi excluída do mercado nacional, considerado um dos mais promissores para o setor. Na Argentina, a Eastman atua por meio de sua subsidiária, a Voridian.


Além de ter seu acesso dificultado para entrar no Brasil, a Eastman poderá ver sua liderança mundial ser reduzida quando a M&G puser em pleno funcionamento sua fábrica em Pernambuco. A M&G garante que já é a líder na América do Sul e vai ampliar seu controle com a nova planta.


Segundo os executivos da empresa italiana na Europa, a nova fábrica consolidará a M&G como a segunda maior do mundo, superada apenas pela Eastman. Hoje, a maior planta do mundo dedicada à produção da resina está em Altamira, no México, e é de propriedade da M&G. Além de fábricas no México e Itália, a companhia tem investimentos nos Estados Unidos e no Reino Unido. No Brasil, a M&G tem quatro fábricas. (Fonte: O Estado de S. Paulo)