Receita do setor plástico recua 1,95%
08/01/2007

Um ano para esquecer. Em 2006, a indústria brasileira do plástico viveu dificuldades ao contabilizar na média, na comparação com o ano passado, uma retração de 1,95% no faturamento. Foram ao todo R$ 37,9 bilhões em vendas, de acordo com estimativa da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

Fortes reajustes das matérias-primas ao longo do ano e a dificuldade de repassar esses aumentos aos preços, devido ao mercado interno desaquecido, contribuíram para esse cenário. “O setor em 2006 não foi regular, foi ruim”, afirma o presidente da Abiplast, Merheg Cachum.

As resinas (principal insumo do setor) tiveram elevações de até 20%, o que prejudicou a atividade. O dirigente cita que o segmento fica atrelado às variações internacionais dos preços do petróleo, que têm impacto nos preços das petroquímicas nacionais – embora haja defasagem de meses entre a alta do petróleo e as elevações das resinas.

Além desse fator, a concorrência dos produtos importados (da China e de outros países) tem se tornado uma ameaça à indústria nacional. A importação de transformados plásticos (peças e embalagens) cresceu 14,15% no ano, enquanto as exportações tiveram alta de 6,91%, em volumes (toneladas). Em dólares, o déficit (vendas externas menos aquisições do exterior) da balança comercial do setor cresceu 19,38%, para US$ 308 milhões.

Outro fator que influiu negativamente, segundo empresários do segmento, foram as eleições, que trouxeram incertezas em relação ao cenário futuro. Para o diretor da Resiplastic, de Mauá, José Jaime Salgueiro, o processo eleitoral fez com que as empresas deixassem de ter uma programação definida para os pedidos.

Salgueiro estima que foi possível crescer 4% neste ano, em função de uma recuperação do setor agropecuário – a empresa produz peças para máquinas agrícolas – no final do ano e também do atendimento à indústria automobilística.

Outras empresas da região acompanharam a média do setor e registraram variação negativa nos resultados. Foi o caso da fabricante de monofilamentos (cordas) Polibel, de Mauá, que deve fechar o ano com faturamento 0,5% menor ante 2005. O empresário Marcelo Parolin também considera que o ano eleitoral e a Copa do Mundo atrapalharam – “o Brasil pára durante a Copa”, afirmou –, além de questões como os juros e tributos.

Já a Ecus Injeção, também localizada em Mauá, conseguiu igualar os resultados do ano passado, graças à ampliação do mix de produtos. A empresa produz peças para a indústria automobilística e passou a fornecer itens para novos veículos da Toyota e da Renault.(Fonte: Diário do Grande ABC)