Petroquisa bancará complexo do Rio e mantém cronograma
08/01/2007

A dificuldade de encontrar sócios privados para investir nas duas gerações do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), avaliado em R$ 8,4 bilhões, deve levar a Petrobras a tocar o projeto sozinha num primeiro momento. Para cumprir o cronograma original, que prevê a inauguração do empreendimento em 2012, a estatal planeja comprar os primeiros equipamentos em 2008.


Como apenas o Grupo Ultra demonstrou interesse concreto em participar do complexo, a petrolífera avalia realizar os investimentos iniciais isoladamente e ser reembolsada pelos eventuais sócios que venham a aderir ao projeto numa etapa posterior.
“É a forma que estamos avaliando para não atrasar a atividade operacional da nova unidade”, afirmou ao DCI José Lima de Andrade Neto, presidente da Petroquisa, braço petroquímico da estatal brasileira.


De acordo com Lima, a prática de “carregar o sócio”, como é classificada no jargão do mundo dos negócios, é recorrente e tem por objetivo justamente evitar que a lentidão na solução de divergências atrapalhe o andamento dos projetos. Os novos parceiros que porventura se unirem à Petrobras posteriormente terão de reembolsar alguns investimentos já feitos pela estatal na proporção de sua participação acionária.


Atualmente, o que está definido é que o grupo Ultra e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) integrarão a sociedade com a estatal, mas os detalhes da estrutura societária ainda não foram fechados. A intenção da Petrobras é ter menos que 50% do empreendimento. O maior desafio é conciliar os interesses da estatal com os dos potenciais parceiros. Nos últimos anos, a Petrobras tem feito movimentos que sinalizam uma retomada mais agressiva no setor petroquímico, visando expandir sua atividade na segunda geração, ou seja, na produção de resinas como polietileno e polipropileno, que têm maior valor agregado que as matérias-primas da primeira geração, como eteno e propeno.


A entrada na Rio Polímeros (Riopol), empresa que integra as duas gerações, foi uma mostra disso. Suzano e Unipar Por sua localização, os parceiros naturais no complexo seriam a Suzano e a Unipar, que possuem maior atuação no Sudeste, mas ambas demonstraram interesse apenas na segunda geração. Outro ponto de dificuldade é o valor do investimento. Os US$ 8,4 bilhões representam o maior empreendimento individual da Petrobras. Como a empresa não quer ser majoritária, por menor que seja a participação dos demais sócios, estes terão de desembolsar um volume razoável de recursos, em um momento em que planejam a expansão de suas unidades. A Unipar, por exemplo, prevê investir US$ 2 bilhões até 2010 em ampliação de capacidade.


Mesmo assim, a estatal não parece disposta a ceder à pressão dos eventuais parceiros. “Não queremos cair no erro que cometemos no passado e retomar nossas atividades na petroquímica de forma desintegrada”, afirma o presidente da Petroquisa.

Vantagens

São muitas as vantagens apontadas por ele para a criação de uma unidade integrada. As sinergias iriam da contratação de pessoal e pagamento de tributos, à questão de transferência de preços. Se empresas diferentes forem constituídas para atuar apenas na segunda geração, explica José Lima, haverá fatalmente uma discussão sobre o preço das matérias-primas, uma vez que haverá mais compradores, o que seria mais uma dor-de-cabeça para a Petrobras.


A disposição da companhia de levar o projeto adiante sozinha pode ser explicada por seu caráter estratégico. No Comperj, os produtos petroquímicos serão obtidos a partir do petróleo pesado da Bacia de Campos, e não da nafta ou do gás, um pioneirismo tecnológico. O óleo pesado, encontrado em abundância no Brasil, é de difícil colocação no mercado internacional e não pode ser aproveitado integralmente pelas refinarias brasileiras devido às características do parque de refino nacional. A obtenção de produtos mais nobres a partir dele, portanto, agregará valor ao petróleo. Serão processados 1,5 mil barris de óleo diariamente para a produção de 15 produtos diferentes, entre eles eteno, propeno, polietileno, PET e até diesel e nafta.


Enquanto as conversas com os potenciais sócios não avançam, a Petrobras vem conduzindo as primeiras licitações. A próxima, para contratação da empresa de engenharia, deve sair dentro de três ou quatro meses. Na área ambiental, serão necessários nove estudos de impacto ambiental para diferentes unidades do complexo. A licitação para elaboração do primeiro e mais importante deles foi ganha pela Concremat. As demais estão na rua. Pela complexidade do projeto, serão necessárias 12 licenças ambientais. (Fonte: DCI)