Consumo de resina cresce 8% este ano, prevê associação
04/01/2007

O consumo aparente de resinas do Brasil deverá ter expansão de 8% em volume este ano, prevê o presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp) José Ricardo Roriz Coelho. O resultado, abaixo do crescimento de 10% previsto para o encerramento de 2006, é considerado bastante positivo pelo executivo. Ele destaca que a expansão do consumo este ano terá como base o resultado registrado no ano passado, ao contrário dos dados de 2006, que foram comparados ao resultado praticamente estável registrado pelo setor em 2005.


Uma das principais características do mercado de resinas em 2007 será a estabilidade de preços. “Pelo menos para o primeiro semestre do próximo ano não há indícios de que haverá variação brusca nos valores”, diz Roriz. Nas últimas semanas de dezembro, os transformadores plásticos registraram queda de cerca de 5% no preço das resinas, pouco se considerado que a China retomou sua posição de compradora no mercado global. Por causa disso, os transformadores também não se mostram confiantes sobre uma possível redução expressiva nos preços das resinas nos próximos meses.


Demanda aquecida


O otimismo com a expansão do mercado de resinas é tamanho que a Braskem reorganizou suas paradas para operar durante todo o ano de 2007 com capacidade máxima de produção. Roberto Garcia, presidente da Unipar, controladora de empresas como Petroquímica União e Rio Polímeros (Riopol), também está otimista, principalmente porque não haverá aumento substancial de capacidade de produção este ano, como houve em 2006, com o início da operação comercial da Riopol.



Roriz, do Siresp, prevê que os setores que mais contribuirão para o crescimento da demanda por resina este ano serão o automotivo e a agricultura, além de segmentos diretamente ligados à renda da população, como o mercado de embalagens para alimentos. “A maioria dos acordos salariais permitiu o aumento do poder aquisitivo dos consumidores”, destaca. “No caso da agricultura, o resultado deve ser melhor devido à recuperação no preço da safra”, completa. Outro destaque de 2007 será a construção civil, aquecida pelos incentivos fiscais concedidos pelo governo federal ao setor.


Transformadores


As previsões de aumento no consumo de resinas também consideram o crescimento da capacidade de produção dos transformadores plásticos de alguns setores, lembra Roriz. “Hoje, a capacidade ociosa da indústria de transformação brasileira deve superar os 35%”, diz. Entre os projetos previstos para 2007 se destacam o aumento da produção das concorrentes Tigre e Amanco.


A Tigre vai construir uma nova unidade fabril no município de Escada (PE). A planta terá foco na produção de soluções para infra-estrutura, irrigação e linha predial. “Sabemos das necessidades de investimento em infra-estrutura nas Regiões Norte e Nordeste e acreditamos no crescimento desses mercados”, afirma o presidente da Tigre, Amaury Olsen. A Amanco, por sua vez, deverá anunciar ainda no início deste ano novos planos para o Brasil. Entre eles estaria a construção de unidades fabris.


PVC


Se os planos da Amanco ainda são mantidos em segredo, Braskem e Solvay Indupa não escondem o otimismo com o mercado de PVC. A Solvay anunciou em agosto passado que investirá US$ 150 milhões na ampliação de sua planta instalada em Santo André (SP). A Braskem também estuda ampliar sua capacidade de produção de PVC. O presidente da companhia, José Carlos Grubisich, destaca que o projeto depende apenas da resposta da demanda interna. Ao final do terceiro trimestre, a empresa já operava com 87% de sua capacidade instalada de PVC, nove pontos percentuais acima da taxa de utilização do segundo trimestre de 2006.


Um dos possíveis consumidores de parte desse excedente de PVC que será produzido no País será a subsidiária da francesa Grosfillex. A fabricante de móveis de plástico deverá iniciar a produção local de armários feitos a partir de PVC futuramente. Para viabilizar o projeto, a empresa aguarda os resultados de uma pesquisa que mediu a aceitação do produto junto ao consumidor brasileiro. “Os resultados parciais nos deixam bastante otimistas com a possibilidade de iniciar essa produção no País”, revela o diretor-geral da empresa, José Walter de Menezes.(Fonte:DCI)