China incentiva 50 empresas para a competição global
21/12/2006

O governo da China disse que pretende fomentar a expansão de aproximadamente 50 empresas estatais para que elas se transformem em companhias capazes de competir globalmente e para protegê-las de concorrentes estrangeiras filiadas à Organização Mundial do Comércio (OMC). “O governo chinês quer manter o controle de empresas ligadas aos setores petroquímico, de defesa nacional, transmissão de energia elétrica, telecomunicações, carvão, aviação civil e transporte marítimo”, diz Li Rongrong, diretor do órgão estatal Comissão de Administração e Supervisão de Ativos da China, que gerencia ativos do governo chinês.



“Todos os países querem manter um certo nível de controle sobre seus setores-chave”, disse Ke Shifeng, que auxilia na administração de aproximadamente US$ 2 bilhões em ações chinesas para a Martin Currie Investment Management Ltd. em Xangai. A Martin Currie está sediada em Edimburgo, na Escócia. “Isso também faz parte da tendência vigente na China de colocar seus setores em um ambiente de mercado, o que é bom para os consumidores e os investidores”, acrescentou Ke. O governo comunista da China, que detinha o controle de todos os aspectos do dia-a-dia no país, passando por empresas a companhias prestadoras de serviços públicos, reduziu o número de estatais para menos da metade do Produto Interno Bruto (PIB) no período de três décadas desde que o país eliminou o planejamento central da economia.



Agora a Comissão de Administração e Supervisão de Ativos da China quer seguir os passos da Temasek Holdings Pte., de Cingapura, e estimular as empresas locais a realizar fusões e melhorar sua administração e seu capital. “O governo central precisa manter o controle absoluto sobre os setores que estão relacionados à segurança nacional e à segurança da economia”, disse ontem Li em entrevista coletiva concedida em Pequim. “O governo chinês fomentará o crescimento de um número entre 30 e 50 grupos empresariais com potencial para concorrer no mercado internacional, que utilizarão para isso seus próprios direitos de propriedade intelectual e suas próprias marcas”, acrescentou ele.



O governo chinês poderá estabelecer uma nova empresa de administração com a intenção de acelerar o ritmo do nivelamento dos ativos entre suas companhias, afirmou Li, sem fornecer detalhes adicionais. “Nós queremos a separação entre política e negócios. O plano é ajudar as companhias a alocarem melhor seus recursos, ter uma administração mais eficiente e um apresentar um retorno mais elevado aos seus acionistas”, afirmou Li. “Essa é a premissa e os fundamentos de tudo que fazemos no país”, acrescentou.
A Comissão de Administração e Supervisão de Ativos da China irá reduzir suas companhias das atuais 161 para entre 80 e 100 até 2010. A comissão deverá fechar empresas que não são lucrativas ou são insolventes, segundo Li.


As 161 companhias controladas pela comissão — entre elas a maior companhia de petróleo do país, a PetroChina Co. — poderão registrar um recorde de 720 bilhões de iuanes (US$ 92 bilhões) em lucros este ano, com vendas combinadas superando os 8 trilhões de iuanes, ainda de acordo com Li. Aproximadamente 40 dessas 161 empresas, que correspondem a 75% do total dos ativos, estão nos setores de defesa, transmissão de energia, petroquímica, telecomunicações, carvão, aviação e navegação. Outras 70 empresas, que correspondem a 17% do total de ativos, estão nas áreas de maquinário, automóveis, eletrônicos e metalurgia, de acordo com dados da Xinhua, agência estatal de notícias da China.



A China também quer que suas maiores companhias fechem a lacuna existente hoje no mercado de capitais. “A China já realizou melhorias drásticas no mercado de capitais nos últimos três anos”, afirmou Ke. “Não razão para que boas companhias deixem de estarem listas na China”, acrescentou. A governo permitirá que grupos como a SAIC Motor Co., parceira chinesa da Volkswagen AG e da General Motors Corp., injetem ativos em algumas de suas unidades, de acordo com Li. As companhias também serão incentivas pelo governo de Pequim a vender ações nas Bolsas de Valores de Xangai e Zhenzhen. “As empresas estatais já estão sendo encorajadas a se listarem no exterior”, completou Li.(Fonte: Bloomberg)