Transformadores fecham ano com queda de faturamento
21/12/2006

O crescimento das importações de produtos transformados acima das exportações e o resultado da economia nacional aquém do esperado serão os principais responsáveis pela retração de 1,95% no faturamento do setor plástico em 2006, segundo previsões da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). A receita do setor, este ano, ficará em R$ 37,9 bilhões. Em dólares, o faturamento crescerá 9,09%, para US$ 17,3 bilhões, reflexo da variação cambial do período.


“Os números previstos para o fechamento de 2006 não são nada animadores. O câmbio e a alta carga tributária são dois fatores que reduzem a competitividade do transformador nacional em relação a grupos de outros países”, destaca o presidente da Abiplast, Merheg Cachum. A receita do setor seria ainda menor não fosse o reajuste feito pelos transformadores no preço de seus produtos, repassando o aumento de 25% a 30% concedido pelas petroquímicas ao preço das resinas.


Segundo as previsões da entidade, a importação de transformados totalizará 371 mil toneladas este ano, alta de 14,15% em relação a 2005. Em valores, a elevação será de 15,91%, para US$ 1,42 bilhão. As estimativas da entidade não consideram a comercialização de PET. Já as exportações crescerão 6,91%, para 294 mil toneladas. Em valores, a alta será de 14,99%, para US$ 1,12 bilhão. A expansão em dólares, ressalta a entidade, deve-se principalmente à variação cambial no período.


O déficit comercial do setor este ano terá elevação de 19,38%, para US$ 308 milhões.
De janeiro a setembro, o segmento de itens laminados, como termoformagem (usada na fabricação de artigos descartáveis como copos e pratos, entre outros fins) apresentou retração de 5,73% na produção em relação a igual período de 2005, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A fabricação para o nicho de embalagens também caiu: 1,99%. Já o segmento outros plásticos, composto por itens usados em setores como construção civil e peças técnicas para o setor automotivo, registrou crescimento de 11,79%.


Cachum acredita que, para 2007, as tendências registradas em 2006 deverão se manter, caso não haja mudanças significativas no cenário macroeconômico brasileiro. Caso se repita o desempenho de 2006, o segmento de produtos técnicos, com maior demanda externa, será o principal motor do setor em 2007.


Cachum ressalta que o atual cenário da economia brasileira deixa o Brasil bastante vulnerável ao mercado externo, principalmente aos fabricantes chineses. Segundo dados consolidados da Abiplast, a importação brasileira de transformados chineses totalizou US$ 162,8 milhões de janeiro a outubro deste ano, alta de 29% em relação aos US$ 126,1 milhões importados em igual período de 2005. “Nosso maior problema não é o câmbio, mas sim a alta carga tributária brasileira e o elevado custo do dinheiro no País”, diz. O executivo alega que, com a falta de incentivos para o investimento na capacidade produtiva, as empresas estão “fechando as portas para o comércio exterior”.


No âmbito doméstico, o mercado sentiu os efeitos da fraca expansão da economia brasileira. Para piorar, os transformadores viram suas margens encolher devido ao aumento no preço das resinas promovido pelas petroquímicas. “A forte concorrência no mercado interno inviabilizou o repasse integral desses reajustes aos clientes”, destaca a diretora de Novos Negócios e Marketing da Sonoco For-Plas para a América do Sul, Daisy Zakzuk Spaco.Apesar disso, a empresa deverá fechar 2006 com expansão de 15% nas vendas, influenciada pelo aumento da demanda por embalagens feitas com outros materiais, como as multifoliadas.


A principal expectativa do setor para 2007, destaca Cachum, está na possibilidade de o governo criar condições mais favoráveis aos negócios. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, já afirmou que o governo anunciará, nos próximos dias, um pacote que reduzirá o custo para investir no Brasil, entre outras medidas. “Se o governo reduzir a carga tributária e analisar o custo do dinheiro no Brasil, com certeza a economia nacional apresentará aceleração e o setor de transformadores voltará a crescer”, diz Cachum. Para o presidente, a retomada da competitividade nacional depende, obrigatoriamente, do investimento das empresas em equipamentos.(Fonte: DCI)