Atacado químico usa a China para substituir Europa e EUA
14/12/2006

A importação de produtos químicos chineses pelos atacadistas nacionais aumentou e fez com que os mercados europeu e americano perdessem de 10% a 15% das vendas para o mercado brasileiro. Além disso, com a intensificação da importação de químicos devido à queda do dólar, grandes fabricantes como Braskem, Dow Química e Carbocloro, para não perder mercado, dão descontos temporários de até 30% para seus distribuidores.

Assim os atacadistas passam a ter melhores condições de competir com os distribuidores que comercializam produtos importados, até 40% mais baratos do que os nacionais. A China é um dos principais fornecedores de matéria-prima química para os setores farmacêutico, alimentício e de cosmético brasileiro.

Produtos originários de países como Índia, Turquia e Rússia também têm preços bastante competitivos. “Os produtos chineses estão com uma qualidade melhor e já atendem as normas internacionais, além disso são mais baratos”, diz Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e do Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo (Sincoquim).

No final de outubro, um grupo de 20 atacadistas viajou à China para a Feira de Cantoon, na qual realizaram acordos e negociaram parcerias. “A qualidade dos produtos chineses irá melhorar. Venho de uma recente reunião nos Estados Unidos, na qual fmos informados de que a China acaba de aderir ao processo de distribuição responsável.

A China adotou um sistema no qual as empresas que não tiverem uma distribuição responsável não poderão exportar”, conta o presidente. Mesmo que a importação da China aumente, os distribuidores afirmam que este não será um canal de concorrência para a indústria brasileira. “A distribuição está consciente.

Não importaremos em uma quantidade que possa prejudicar a produção local, mas isso não impede que os consumidores finais (indústrias) importem quantidades acima das necessidades ou em detrimento ao produto nacional”, diz Medrano.

Atacadistas do setor afirmam que na maioria das vezes não compensa importar quando se tem o mesmo produto fabricado no País. Isto porque o mercado internacional é muito volátil e não vale a pena cortar o vínculo com o fabricante nacional simplesmente em busca de um preço melhor. “Hoje, a China pode vender um determinado produto mais barato, mas logo o preço volta a aumentar. Quando somos obrigados a voltar a comprar do fabricante nacional nem sempre conseguimos uma boa negociação. Assim, quando a concorrência aperta preferimos pressionar os fabricantes por descontos”, afirma um grande atacadista químico que pediu para não ser identificado.

Este ano, com o aumento do petróleo, a indústria nacional aumentou em até 15% o preço nos produtos vendidos aos atacadistas químicos, que não conseguiram repassar o aumento para os clientes e a rentabilidade foi afetada. “Os distribuidores parcelaram o aumento e repassaram de 8% a 10% para não perderem vendas, pois a capacidade de capital de giro do pequeno industrial é baixa”, comenta Medrano.

Em 2006, o atacado químico faturará U$S 3 bilhões e as projeções são de um crescimento de 5% em 2007, apoiado na intensificação das negociações com a China. O faturamento de U$S 3 bilhões está próximo da França, Itália e Canadá, mas ainda é um valor distante do mercado americano que hoje fatura U$S 22 bilhões ao ano. “A globalização irá punir aqueles que não se atualizarem. Em 2010, a Associquim completará 50 anos de existência. Somos uma das entidades mais antigas do País”, afirma Medrano.

Fontes do setor afirmam que o segmento de distribuidores químicos e petroquímicos condiciona o crescimento de 5% em 2007 a continuidade da queda na taxa de juros, a inflação controlada e a perspectiva do governo de atuar para que haja um crescimento de fato maior. O diretor da Atias Química, Eugen Atias, diz que há uma tendência na China de se aumentar os preços, porque a moeda chinesa está se valorizando.

“O consumo deles também está aumentando. A oferta não será tão grande. A China possui problemas estruturais muito grandes, ambientais inclusive. Eles estão sendo pressionados pelos americanos a melhorarem a qualidade”, afirma Atias. Para ele, o atacado químico deverá importar entre 15% e 20% mais em 2007 se o dólar continuar baixo. “Este ano faturamos mais e ganhamos menos. Nossos custos são em dólares e nosso faturamento em reais e fomos obrigados a reduzir margens”, conta.(Fonte:DCI)