Demanda interna vira entrave para queda no preço de resina
30/11/2006

As petroquímicas brasileiras decidiram prorrogar uma eventual redução no preço das resinas neste final de ano para compensar parte das perdas causadas pelo aumento do petróleo e da nafta nos oito primeiros meses de 2006. A decisão tomada pelas companhias tem por base as previsões das fabricantes de resinas de que os transformadores plásticos têm optado por utilizar parte de seus estoques nas últimas semanas, mas precisarão retomar o movimento de compra de insumos já no início de 2007. Além disso, há indícios de que a China voltou ao mercado internacional de forma consistente na posição de consumidora.

A perspectiva de que as petroquímicas reduziriam o preço das resinas foi levantada pelos transformadores após o preço médio da nafta negociada na Europa cair de US$ 658 por tonelada em agosto para US$ 505 por tonelada em outubro, patamar que tem se mantido em novembro. As declarações dos executivos das petroquímicas, no entanto, indicam que a estimativa não se confirmará. “Sentimos que a posição dos clientes é a de consumir maior volume dos estoques, mas no próximo ano eles recorrerão ao mercado, o que cria um cenário favorável para nosso setor”, afirma o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), Rogerio Mani, esperava que as petroquímicas revissem seus preços em outubro, o que não aconteceu. “Há indícios de que a China voltou à posição de consumidora de resina e as empresas devem manter os preços de olho no aumento da demanda internacional”, afirma o executivo. Atualmente, a China responde por cerca de 42% das importações de polietileno (PE) e de 44% das importações de polipropileno (PP) do mundo, destaca o vice-presidente financeiro da Braskem, Paul Altit.

A manutenção dos preços das resinas permitirá às petroquímicas registrarem bons números de vendas, em receita, no quarto trimestre deste ano. Em volume, no entanto, os negócios devem sinalizar resultados negativos uma vez que os transformadores, com dificuldades para operar baixos capitais de giro, foram obrigados a utilizar parte dos volumes mantidos em estoque. “Normalmente, as reservas do nosso setor ficam entre 30 dias e 45 dias. Hoje, no entanto, os estoques estão em cerca de 15 dias”, afirma Mani.

No caso da transformadora Indeplast, que atua em mercados como o alimentício, o nível do estoque está em sete dias, face a cerca de 20 dias de reservas mantidas em agosto. Além disso, a empresa tem registrado retração nas vendas, conseqüência da necessidade de repassar os reajustes para os clientes e do fraco resultado da economia nacional. “As vendas no segundo semestre, em relação a igual período do ano passado, caíram 15%. Por isso, esperamos atingir, este ano, pelo menos o mesmo faturamento registrado em 2005”, diz a diretora administrativo-financeira, Juliana Gomes da Costa.

Projeções

Mani acredita que os preços das resinas deverão chegar ao final do primeiro semestre de 2007 no mesmo nível registrado hoje. Para ele, se houver variação, será de pequena retração de 5% a 6%. Pouco se comparado ao reajuste de 30% de agosto a outubro praticado pelas petroquímicas, que se viram obrigadas a repassar a forte valorização da nafta desde o início de 2006.

José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato das Indústrias de Plástico (Siresp) e co-presidente da Suzano Petroquímica, destaca que a variação dos preços das resinas não depende apenas da cotação do petróleo e da nafta, mas também dos preços praticados no mercado externo. “No quarto trimestre ainda há cenário positivo de demanda interna por resinas termoplásticas e o preço do petróleo já caiu o que deveria cair”, diz. Para ele, apenas uma retração na demanda, aliada à queda dos preços internacionais, permitiria uma redução no preço dos insumos no curtíssimo prazo.

Essa alteração na relação entre oferta e demanda, no entanto, não deve acontecer nos próximos meses. Em primeiro porque as petroquímicas reduzirão a produção neste final de ano, como já anunciado pela Braskem. Em segundo porque os transformadores estão com os limites de estoques baixos e precisarão recorrer às petroquímicas no início do próximo ano.
Além disso, há uma tendência de que as quedas aconteçam de forma menos acentuada do que os reajustes. “As empresas tendem a esperar acumular as quedas para então praticar a alteração”, destaca a analista para o setor petroquímico da Tendências Consultoria, Fabiana D’ Atri.

Caso se confirme a expectativa de Mani sobre a manutenção dos preços das resinas no primeiro semestre, o setor pode não seguir um movimento histórico de queda de preços nos seis primeiros meses do ano, seguidos de um segundo semestre marcado pela elevação dos preços. (Fonte: DCI)