Exportações responderão por 50% da receita da Braskem
23/11/2006

O ambicioso projeto de expansão da Braskem resultará em aumento de 25% para 50% na participação da receita proveniente de exportações nos negócios da empresa, revelou o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich. Para atingir esta meta, a Braskem fortalecerá suas posições no exterior, principalmente com os projetos de El Tablazo e Jose, na Venezuela. A produção excedente, além de garantir à empresa capacidade de fornecer a novos clientes no exterior, permitirá à Braskem concentrar no Brasil as vendas de resinas fabricadas no País.

A chave para a Braskem alavancar as exportações após a conclusão dos projetos venezuelanos em parceria com a petroquímica estatal Pequiven é o baixo custo do gás natural que será consumido em território venezuelano e as perspectivas de maior demanda em países próximos, como Estados Unidos e México, além da costa oeste da América do Sul e da própria Venezuela. “Acreditamos que a partir de 2009 os Estados Unidos se tornarão importadores de resinas”, diz Grubisich. Com o aumento da procura norte-americana, os Estados Unidos precisarão recorrer a outros países, além do México, para garantir o volume demandado pelo setor, prevê o analista da corretora Geração Futuro, Lucas Mattioni Brendler.

A Braskem possui projetos para construir uma planta de polipropileno (PP) em El Tablazo, com partida prevista para o final de 2009, e para implantar um novo “cracker” (unidade de craqueamento) para a produção de eteno a partir do gás natural, no Complexo de Olefinas de Jose. O início das operações deste projeto está previsto para 2011 e a assinatura da joint venture entre Braskem e Pequiven deverá ser concluída no início de 2007. Para ampliar as vendas locais, a Braskem tentará levar novas empresas para a região. “Pretendemos atrair clientes no Brasil e internacionais, na área de transformação”, diz Grubisich.

Escritórios

Outra medida da companhia para ampliar as exportações, que devem totalizar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão este ano, é a abertura de escritórios no exterior. Ontem, durante apresentação feita a investidores e analistas em evento da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), o presidente da Braskem confirmou que o escritório da Ásia, a ser instalado provavelmente em Xangai (China), será inaugurado no início de 2007, diminuindo a participação de traders e distribuidores nas negociações da região e, conseqüentemente, ampliando as margens de lucro da companhia.

A instalação dessas unidades — a Braskem já possui escritórios nos Estados Unidos, na Holanda (escritório europeu), na Argentina e na Venezuela — é fundamental para que a companhia possa alocar o volume excedente de produção previsto com novos projetos. Em cinco anos, a Braskem espera duplicar a produção de resinas dos atuais 2,3 milhões de toneladas para 4,7 milhões de toneladas.

Mercado interno

O excedente de produção ocasionado principalmente pelos projetos na Venezuela também beneficiará os clientes nacionais da Braskem. Tudo porque haverá um maior direcionamento das resinas produzidas no Brasil para o mercado doméstico. Com a concentração de produção no Brasil, a Braskem deverá reduzir seus custos, destaca o presidente da companhia.

A empresa também anunciou ontem o desenvolvimento de um novo projeto de polipropileno (PP) em Camaçari (BA). A linha, com capacidade prevista de 300 mil toneladas, entrará em operação em 2011. O projeto será possível graças à ampliação, de 150 mil toneladas, da capacidade de produção de eteno na unidade de Olefinas 2, localizada em Camaçari, prevista para 2010.

Grubisich também revelou que a empresa já preparou um projeto para expandir sua capacidade de produção de PVC em 150 mil toneladas por ano.
“Dependemos apenas da resposta do mercado para fazermos os investimentos”, afirmou o presidente da Braskem. Nos nove primeiros meses de 2006, a demanda por PVC cresceu 6% em relação a igual período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Ontem, a companhia assinou acordo com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) para disseminar e desenvolver novas tecnologias e aplicações para o PVC principalmente no mercado de construção civil. (Fonte: DCI)