Setor químico investe US$ 15,5 bi até 2011
17/11/2006

A indústria química brasileira desenvolve projetos grandiosos de investimento, apesar do ritmo de crescimento modesto da economia nacional. A previsão do setor é de que, apenas para a ampliação da capacidade de fabricação de produtos, deverão ser gastos US$ 14,1 bilhões até 2011. O valor sobe para US$ 15,5 bilhões quando computadas também melhorias de processo, manutenção, segurança, meio ambiente e troca de equipamentos. Os dados constam do anuário 2006 da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), que consultou em agosto último 800 empresas.


O Grande ABC tem participação expressiva no documento. A região contribui com planos que somam US$ 902 milhões (5,8% do total), que se referem tanto a ampliação das fábricas quanto modernização e melhoria de processos. Os números poderiam ser ainda mais significativos, já que a PQU (Petroquímica União), por exemplo, recentemente informou que estuda investir R$ 3 bilhões na segunda fase de expansão da companhia, a partir de 2010 – na relação, essa nova etapa consta com valor em aberto (não divulgado).

A PQU, que pertence ao grupo Unipar, já está com projeto em andamento, de US$ 343 milhões, para o aumento da produção de eteno (produto petroquímico básico, com aplicação em diversos segmentos) a partir de 2008. Além da ampliação, a companhia de Santo André planeja consumir outros US$ 148 milhões em manutenção e melhorias dos processos até 2011.

Outro investimento feito pela Unipar é para a expansão da Polietilenos União, de Mauá, que consta na relação com montante de US$ 150 milhões. Gasto da mesma ordem (US$ 150 milhões) será feito pela Solvay Indupa, em Santo André, para ampliar sua fábrica de PVC (policloreto de vinila), resina plástica que se destina à fabricação de material de construção.

Outro investimento significativo, de cerca de US$ 70 milhões, é realizado pela Oxiteno (do grupo Ultrapar) em Mauá, para o aumento da fabricação de óxido de eteno e seus derivados (que são especialidades químicas usadas em áreas como cosméticos, tintas e alimentos).

O maior projeto em estudo, segundo o levantamento da Abiquim, é a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), em Itaboraí (RJ), com a participação da Petrobras e do grupo Ultrapar. A intenção é implementar, por US$ 8,4 bilhões, uma Unidade de Petroquímicos Básicos e unidades de segunda geração (fabricação de resinas plásticas).

Ainda é pouco – Apesar de expressivos, os investimentos planejados estão abaixo da dimensão do setor e do potencial do mercado, na avaliação do vice-presidene da Abiquim, Guilherme Duque Estrada de Moraes. “O déficit para este ano na balança comercial de produtos químicos deverá ser superior a US$ 8 bilhões. É um valor alto, que indica haver espaço para o Brasil atrair mais investimentos desde que algumas barreiras sejam removidas, como as deficiências de infra-estrutura e falta de garantia de disponibilidade de matérias-primas a custo compatível”. (Fonte: Diário do Grande ABC)