Mais debate sobre o futuro de resinas
17/11/2006

Uma boa alternativa no longo prazo para o setor plástico comercializar seus produtos. Dessa forma, o presidente da Suzano Petroquímica e do Sindicato da Indústria de Resinas Plástica (Siresp), José Ricardo Roriz Coelho, avaliou a implantação, no Brasil, dos serviços de negociação da London Metal Exchange (LME), uma bolsa para negociar produtos petroquímicos.

A iniciativa é vista como um tema que precisa ser mais debatido entre os operadores do setor porque, até o momento, ainda há muitas dúvidas quanto às vantagens e desvantagens que esta nova forma de comercialização pode oferecer.

"Essa bolsa será uma das alternativas que as empresas terão para fazer suas vendas de longo prazo, mantendo a estabilidade dos projetos porque, muitas das vezes, temos que verificar os preços das matérias-primas no longo prazo, ou seja, da resina no longo prazo", explicou Roriz Coelho.

O presidente da Suzano, no entanto, frisou que esta iniciativa precisa ser muito debatida para o setor saber quais são as vantagens e desvantagens que esta operação pode implicar. "Temos que verificar os dois lados. De um lado, é muito bom para financiar os contratos de longo prazo porque teremos uma previsibilidade muito maior. Do outro, o que seria ruim para os produtores é ter o seu preço sempre atrelado a uma bolsa e não em relação ao cliente fornecedor. Então, isso precisa ser muito discutido".

Matérias-primas

O presidente do Sindicato da Indústria Plástica do estado do Rio de Janeiro (Sinperj), José da Rocha Pinto, ressaltou que a entidade aposta na implementação da LME no Rio. Explicou que essa iniciativa é uma alternativa do setor terá para o fornecimento de matérias-primas. "O Sinperj vê essa iniciativa com interesse dobrado no sentido de fazer que o setor tenha possibilidade de conseguir matérias-primas dentro dos valores internacionais porque a resina é uma commodities. Seu preço varia de acordo com o petróleo. Então, acho absolutamente normal que isso seja feito dessa maneira".

Para Rocha Pinto, o segmento precisa conhecer novas alternativas de fornecimento. "A negociação por bolsa é uma área nova e entra em contato direto com as bolsas do setor de matéria prima. É importante para a industria fluminense saber que existe essa alternativa, tanto para os fornecedores de matéria prima quanto para os distribuidores".

O setor de transformação de plástico do Estado do Rio de Janeiro, em 2003, segundo ele, transformava cerca de 250 mil toneladas/ano. A previsão é de que o setor alcance, com as movimentações do pólo petroquímico, 500 mil toneladas/ano, voltando a colocar o Estado do Rio no patamar de segundo ou terceiro maior transformador do país. "Nós empregávamos no Rio de Janeiro cerca de 30 mil pessoas, considerando todas as operações com o plástico. Hoje, estamos caminhando para 20 mil empregos. E queremos voltar a empregar 30 mil ou 40 mil e suas derivações, que são os vendedores, os distribuidores e o comércio do plástico".

Medida positiva

Já o Secretário Estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Granja Victer, enfatizou que, qualquer iniciativa para desenvolver mercado e fomentar as atividades da indústria petroquímica fluminense é positiva. Lembrou que o governo conseguiu implementar vários projetos como, por exemplo, o Pólo Gás Químico, de US$ 1,1 bilhão, a ampliação da PoliBrasil, de US$ 300 milhões, entre outros projetos.

"O Rio de Janeiro está se consolidando como um grande centro de produtos petroquímicos da América Latina. E isso é importante porque a indústria de transformação é um mercado de terceira geração. Acho que todo o sistema tem que ser iniciado. Ver as dificuldades e os percalços futuros e corrigir ao longo do tempo. Toda a iniciativa que for voltada para ajudar o desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro, seja bolsa, mochila ou sacola, terá o apoio do governo". (Fonte: Monitor Mercantil)