Sto. André movimenta indústrias do plástico
13/11/2006

Saldo positivo para a primeira rodada de negócios do setor de plástico do Brasil, realizada sexta-feira em Santo André. Apesar de somente a Unipar ter fechado negócio durante o evento, pelo menos 200 empresários do setor, inclusive estrangeiros, puderam ampliar a rede de contatos e conhecer pessoalmente compradores e fornecedores.


“Esperamos que saia uma grande network e, para isso, daremos todo o suporte que as empresas precisarem. Na próxima semana, já vamos enviar um catálogo eletrônico para todos os participantes”, afirma o diretor de Desenvolvimento Econômico de Santo André, David Gomes de Souza. Segundo ele, a rodada é conseqüência de um trabalho conjunto da prefeitura com a Fiesp, Ciesp, Sebrae-SP e Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) para promover a integração e desenvolvimento da cadeia de plástico.


Para o diretor superintendente do INP (Instituto Nacional do Plástico), Paulo Dacolina, o mais importante resultado da rodada são os elos para contratos futuros. “Nas rodadas de negociação, em geral, o maior objetivo não é realizar vendas de imediato. A network que se forma é que vai fazer a diferença, porque um conta para o outro e isso faz os negócios ampliarem”, ressalta o representante do INP.


Paulo Dacolino observa que a rodada ajuda também na abertura de negócios com empresas estrangeiras. “Precisamos criar a cultura exportadora. Muitos empresários ainda têm o hábito de procurar compradores estrangeiros somente quando o mercado interno está mal. Isso faz com que o Brasil perca a confiança dos investidores”, explica. Na opinião do diretor do INP, os fabricantes precisam separar uma parte do orçamento para a exportação. “Manter compradores em outros países significa ter uma retaguarda em épocas críticas”, avalia.

E interesse estrangeiro no setor plástico brasileiro existe: dessa rodada participaram cinco empresas argentinas e uma intermediadora de negócios italiana (trader).

O representante de vendas da Bi-Orient, de Buenos Aires, Alejandro Ancel, tinha na mão oito contatos somente na primeira metade da rodada. “A expectativa é muito positiva, já consegui muitos contatos importantes”, comenta Ancel.


A trader Léia Fernandes, proprietária de empresa homônima, com sede em Milão, disse ter encontrado todos os produtos que seus clientes precisavam. “O evento rendeu bons frutos. Além de divulgar meu trabalho, fiz diversos contatos. Agora é só chegar em casa e organizar todo o material que consegui aqui”.

Ampliação de negócios e a criação de rede de contatos não foram os únicos benefícios proporcionados pela rodada. Para o coordenador do grupo piloto da APL (Arranjo Produtivo Local) de Plásticos, Osvaldo Baradel, o evento é uma forma de “centralizar os negócios do setor plástico na região”.


O comentário de Baradel se fundamenta no peso do Grande ABC nesse setor. De acordo com a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), a região abriga 450 empresas transformadoras, 45% delas estão em Diadema, 22,6% em São Bernardo, 14,2% em Santo André, 10,4% em São Cateano, 7% em Mauá, 2,4% em Ribeirão Pires e 0,4% em Rio Grande da Serra.


“A regionalização é muito importante, principalmente para o fortalecimento da APL”, afirma Baradel. De acordo com a Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), em 2005 o faturamento do setor atingiu US$ 15,948 milhões.

Lucros – O momento positivo vivido pelo setor de plásticos, desencadeado pelo aumento na demanda interna e à elevação das cotações dos produtos no exterior, estimulou empresas como a Suzano Petroquímica a aumentar os investimentos na região.


Neste ano, o lucro da empresa (sem descontar impostos, depreciação e amortizações) atingiu R$ 59,7 milhões, um aumento de 225,3% em relação ao segundo trimestre. Agora, a empresa pretende investir US$ 126,9 milhões até 2008, na segunda fase de expansão da fábrica de Mauá, no aumento de capacidade produtiva da unidade de Duque de Caxias (RJ) e na construção de um terminal marítimo. (Fonte: Diário do Grande ABC)