Insumo é chave para novos aportes de Suzano e Unipar
13/11/2006

Os planos de empresas do setor petroquímico como Unipar e Suzano de ampliar os investimentos nos próximos anos estão esbarrando em incertezas de abastecimento pela Petrobras. O projeto da Unipar de ampliar a capacidade de produção de empresas controladas, como Petroquímica União (PQU) e Polietilenos União em um novo cenário de investimentos, chamado de ciclo 2010, depende da capacidade de abastecimento da estatal e do preço pelo qual serão oferecidos os insumos (gás e nafta).




A Suzano Petroquímica também anunciou ontem o adiamento da expansão em sua unidade de Duque de Caxias (RJ), entre outras razões devido à necessidade de que o cronograma do projeto se adapte às possibilidades de fornecimento de insumos por parte da Petrobras — a estatal oferta insumos para as centrais Rio Polímeros (Riopol), Braskem, Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) e Relan.
Com relação aos projetos já anunciados, não há dúvidas com relação a abastecimento.




Não há, no entanto, matéria-prima disponível para investimentos muito além dos já conhecidos”, afirma o co-presidente da Suzano Petroquímica, João Nogueira Batista. Essa indefinição com relação ao volume nacional disponível de derivados de nafta e gás natural pode, ainda, dificultar projetos de desgargalamento em unidades já existentes, como a Riopol.




Segundo a direção da Suzano Petroquímica, o adiamento em dois trimestres (do segundo para o quarto trimestre de 2007) da ampliação de 100 mil toneladas de polipropileno (PP) da unidade em Duque de Caxias também foi motivado pela decisão da empresa de gerenciar os projetos em andamento com o objetivo de maximizar o retorno dos aumentos previstos de capacidade produtiva.




No caso da Unipar, no entanto, a preocupação é maior, uma vez que o novo ciclo de investimentos depende diretamente das previsões da Petrobras. Para dar continuidade ao planejamento para 2010, a Unipar precisa que a Petrobras sinalize a respeito das matérias-primas em, no máximo, seis meses. “As negociações já estão em andamento”, destaca o vice-presidente da Unipar, Vítor Mallmann.



Além da necessidade de conhecer a capacidade de oferta de matéria-prima para o setor, as empresas dependem de um acerto com a Petrobras referente ao preço dos insumos.




“Os investimentos em novos projetos vão disputar mercado com as novas capacidades que entrarão em operação no Oriente Médio, por isso precisaremos de matérias-primas com preços competitivos”, diz o também co-presidente da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz, destacando que cada empresa traça sua negociação referente a reajustes com a estatal.




A preocupação do setor em acelerar projetos de ampliação se deve justamente ao baixo custo de produção e à alta competitividade que caracterizará o setor petroquímico no Oriente Médio, além do início das operações do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). “Achamos que temos boas bases competitivas para o mercado doméstico”, diz o presidente da Unipar, Roberto Garcia.




Investimentos




Sem garantias de abastecimento de insumos, as empresas miram investimentos em projetos com maior viabilidade. A Suzano, por exemplo, estuda a possibilidade de instalar uma fábrica de polipropileno no Paraná, aproveitando acordo que já mantém na região. “Essa planta é viável devido à questão logística, à proximidade de mercados consumidores e ao fato de já termos acordo de abastecimento de longo prazo na região”, destaca Batista. A empresa já demanda propeno da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) para sua unidade de Mauá.




Com relação a essa unidade, a Suzano confirmou o cronograma da segunda fase de sua ampliação de produção, em 90 mil toneladas, para o segundo trimestre de 2008.
Para abril do mesmo ano, a Unipar prevê concluir a expansão das capacidades da Polietilenos União, da PQU e da Carbocloro, além da ampliação de capacidade da União Terminais. Para os investimentos, a boa notícia foi o retorno da Ipiranga à atividade de refino, em outubro.




Previsões




As vendas do setor, que apresentaram recuperação no último trimestre, devem permanecer elevadas no quarto trimestre devido a questões sazonais e ao atual nível dos estoques por parte dos consumidores. “Os clientes estão com estoques baixos, o que deixa o setor confortável”, afirma Roriz. (Fonte: DCI)