Megacomplexo do Rio atrai interesse e ceticismo
10/11/2006

Os investimentos programados pelos quatro maiores grupos nacionais do setor, mais os projetos da Petrobras e de grupos internacionais, como a unidade de PET do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G) em Pernambuco, sancionam as estimativas do BNDES de que até 2010 o Brasil investirá R$ 17,6 bilhões no setor petroquímico, dos quais o banco estatal pretende financiar R$ 7,4 bilhões. O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que sozinho representa mais de R$ 18 bilhões (US$ 8,4 bilhões) para até 2012, é visto como um divisor de águas do setor, mas ainda não empolgou todos os parceiros potenciais.

"É um projeto muito grande, não temos ainda dados para analisar melhor. É preciso saber qual será o preço do petróleo", disse Alexandrino Alencar, vice-presidente de relações com os investidores da Braskem, admitindo que, por enquanto, a empresa nem mesmo começou a avaliar a possibilidade de ter uma participação no complexo. O Comperj representará uma inovação na indústria petroquímica e do petróleo do país, introduzindo uma tecnologia que permitirá, de uma só vez, agregar valor ao óleo pesado produzido na bacia de Campos (RJ) e solucionar a carência por matéria-prima petroquímicas.

"É brilhante, entrar com uma matéria-prima ruim (o óleo pesado) e sair com produtos nobres (como o eteno)", avalia José Ricardo Roriz Coelho, co-presidente da Suzano. Embora ainda não tenha formalizado uma participação no pólo, a Suzano tem declarado desde o início interesse em entrar no investimento. Coelho disse que, dado o seu tamanho, o projeto "está andando mais rápido do que se poderia esperar", mas admite que a equação societária é algo que exige muita ponderação e estudo.

Outro que prefere esperar os desdobramentos do projeto para tomar uma decisão é o grupo Ipiranga. Declaradamente focada no pólo do sul do país no que toca a suas expansões já planejadas, a Ipiranga Petroquímica não descarta uma presença no megaempreendimento. "Depende de como vai ser estruturada a parceria", pondera Alfredo Ribeiro Tellechea, diretor-superintendente da empresa, fazendo coro com o empresariado do setor.

Roberto Garcia, presidente da Unipar, mesmo mantendo a postura geral de esperar o desdobramento do projeto para tomar uma decisão, não esconde seu entusiasmo. "É a grande notícia do setor para os próximos anos". Segundo Garcia, "a princípio" o caminho natural da Unipar é o de entrar apenas na segunda geração do complexo, mas ele ressalva que a empresa "não descarta uma participação integrada desde que seja exeqüível".

A Petrobras, que vem capitaneando o projeto, gostaria que ele integrasse em uma só empresa a primeira e a segunda geração de produtos, solução pela qual os parceiros privados, potenciais ou já definidos, como o grupo Ultra, não vêm demonstrando entusiasmo, dado o volume de investimentos necessário. (Fonte: Valor Econômico)