PQU avança em seu projeto de expansão
26/10/2006

O projeto de expansão do Pólo Petroquímico de Capuava, localizado entre Santo André e Mauá, segue a todo vapor. Peça chave do Pólo, a PQU (Petroquímica União) acaba de obter da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) o licenciamento ambiental para a ampliação de sua fábrica, que elevará em 25% a capacidade de produção a partir de 2008, com investimento total de R$ 840 milhões.

A empresa também já adquiriu os principais equipamentos – importados de países como Estados Unidos, França, Itália e Alemanha – e desenvolveu o plano de engenharia básica, neste caso no Brasil, no Centro de Pesquisas da Petrobras. Atualmente, a central produtora de itens petroquímicos básicos está na fase de detalhamento da engenharia. Ao mesmo tempo, realiza a aquisição de equipamentos nacionais e negocia a contratação das obras de construção civil.

Segundo o gerente do projeto, Adalberto Giovanelli Filho, um dos pontos que ainda preocupam – embora sem comprometer, por enquanto, o cronograma da expansão – é a obtenção de licenças ambientais para a construção do gasoduto que ligará a Revap (Refinaria do Vale do Paraíba), em São José dos Campos, às instalações da companhia, no Grande ABC.

O duto, que terá 97 km de extensão e passará por 11 municípios, utilizando uma faixa de servidão (por onde já passam outros dutos) pertencente à Petrobras, vai trazer gás residual de refinaria (matéria-prima para seu processo produtivo). “Mas a obra começaria em março de 2007. Ainda temos tempo para obter essas licenças”, disse o gerente.

Outro ponto importante para a ampliação é o fornecimento de água para uso industrial. A PQU encabeça projeto de obtenção de água de reúso (esgoto tratado) da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), por meio do qual o Pólo deixará de captar o insumo do Rio Tamanduateí e ampliará o consumo de 320 para 450 litros por segundo.

Unipar – Controlador acionário da PQU, o grupo Unipar investe ainda R$ 490 milhões na ampliação de outra empresa do grupo, a PU (Polietilenos União), também localizada no Pólo de Capuava. Os dois projetos estão interligados, já que a PU vai adquirir o adicional de 200 mil toneladas anuais de etileno (principal item petroquímico) que passará a ser produzido pela PQU.

O grupo deverá gerar 3,2 mil postos de trabalho durante as obras nas duas empresas. Segundo o vice-presidente da Unipar, Vítor Mallmann, após a expansão, há a perspectiva de que a terceira geração petroquímica (as indústrias transformadoras, que fazem as embalagens e peças de plástico) gerem 9 mil empregos a mais na região.
Mas para que essa geração de empregos se efetive, a companhia luta pela isonomia tributária – que o setor tenha em São Paulo a mesma alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) praticada em outros Estados. Em São Paulo, a alíquota é de 18% enquanto no Rio Grande do Sul é 12%.

Unipar estuda nova ampliação

O grupo Unipar planeja investir mais R$ 3 bilhões no Pólo Petroquímico de Capuava entre 2010 e 2012, para uma nova expansão. A intenção é duplicar a capacidade de produção de etileno (principal item petroquímico). A PQU, que produz o item no Pólo, tem hoje condições de fabricar 500 mil toneladas anuais e com o projeto em andamento (a ser concluído em 2008) passará a 730 mil toneladas/ano.

Segundo o vice-presidente da Unipar, Vítor Mallmann, a idéia é ter condições de produzir mais 500 mil a 800 mil toneladas anuais. Para isso, a empresa já negocia com a Petrobras suprimento de matéria-prima (gás residual de refinaria e nafta).
A intenção de ampliar as fábricas no Grande ABC reflete a perspectiva de crescimento do mercado consumidor e também a luta por maior competitividade na comparação com as outras companhias do segmento. Atualmente, Capuava é o menor dos três pólos petroquímicos nacionais. A Braskem, em Camaçari (BA) tem capacidade para 1,28 milhão de toneladas/ano e a Copene, em Triunfo (RS), 1,135 milhão de toneladas.

Esse cenário é bem diferente em relação há 30 anos. Em 1972, a PQU operava sozinha nesse mercado, ou seja, representava 100% da oferta de etileno do Brasil. Ao longo do tempo, com a inauguração das outras centrais e a falta de atualização de sua fábrica, a empresa ficou para trás.

Mallmann lembra que houve alguns obstáculos que dificultaram essa atualização, como por exemplo, uma legislação estadual que proibia a avaliação do projeto de expansão pela Cetesb. Com mudança nas normas legais, essa barreira foi rompida, há alguns anos. Depois, houve uma longa negociação – que se arrastou por sete anos e demandou uma mobilização de entidades do Grande ABC – com a Petrobras para um acordo de garantia de fornecimento de matéria-prima (gás de refinaria e nafta).

Mas a maior competitividade do Pólo de Capuava depende não apenas da escala (tamanho) de produção, mas também de outras questões. Uma delas é a redução da alíquota do ICMS na compra de resinas (insumo para a produção de embalagens), de 18% para 12%, para garantir o mesmo tratamento tributário com outros Estados. Executivos do Pólo se reuniram recentemente com o governador Cláudio Lembo, que teria se comprometido a analisar o tema.
Além disso, as empresas petroquímicas da região planejam apoiar as indústrias transformadoras de plástico instalados no Grande ABC para que possam comprar resina com preço diferenciado. (Fonte: Diário do Grande ABC)