Braskem prevê US$ 3 bi para dobrar a produção
26/10/2006

A Braskem faz planos para dobrar sua capacidade de produção de resinas termoplásticas nos próximos cinco anos, o que a colocaria entre as dez maiores fabricantes petroquímicas do mundo.

"Os investimentos previstos no Brasil, além dos projetos na Venezuela, vão levar a capacidade de produção da Braskem das atuais 2,3 milhões de toneladas anuais para 4,7 milhões de toneladas em 2011", informou o presidente da companhia, José Carlos Grubisich.
Em entrevista ao Valor por telefone, depois da apresentação realizada pela Braskem ontem para analistas na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), onde são listadas as ações da companhia, o executivo contou que o volume de investimento de todos os projetos somados poderão ultrapassar US$ 3 bilhões. Um terço será feito pela própria Braskem. O restante será realizado em parceria.

"Mas a beleza do negócio é que os projetos serão realizados ao longo do tempo, não afetando a disciplina financeira da companhia", disse Grubisich, lembrando que a aprovação dos projetos depende do conselho de administração da companhia, controlada pela Odebrecht.
Nos planos de investimento, Grubisich informou que está prevista a construção de uma nova fábrica para produção de polipropileno, com capacidade de 300 mil toneladas, a ser instalada em Camaçari (BA), onde a Braskem concentra no pólo petroquímica da Bahia a maior parte dos seus ativos.

"Se mantido o crescimento atual da demanda por polipropileno de 10% a 15% ao ano, haverá necessidade de uma nova fábrica em 2010 de pelo menos 200 mil toneladas", disse o executivo. Segundo Grubisich, a unidade industrial, que exigirá US$ 300 milhões em investimentos e poderá começar a operar entre 2010 e 2011, utilizará parte do gás natural da bacia de Camamu, no litoral sul baiano. Esse gás começa a chegar em 2007 a outros projetos industriais do Estado. Outra parte da matéria-prima para produção de polipropileno será complementada com nafta, disse.

Além destes projetos, a Braskem também prevê eliminar gargalos para elevar as capacidades de produção de PVC (mais 150 mil toneladas), polietileno (100 mil toneladas) e eteno (150 mil toneladas). Até o 2008, entrará em operação a fábrica de Paulínia, que produzirá 400 mil toneladas de polipropileno, em parceria com a Petrobras . Em 2007, a empresa decide seus investimentos bilionários na Venezuela em parceria com a Pequiven: uma fábrica de polipropileno (prevista para 2009) e a participação no complexo de olefinas de Jose (2011), que usará gás natural.

Segundo ranking das maiores petroquímicas mundiais, elaborado pela consultoria inglesa Tecnon OrbiChem, a americana Dow ocupa a primeira posição em capacidade de produção das resinas de polipropileno, polietileno, PVC e PET (9,4 milhões de toneladas por ano), seguida da Basell (9,4 milhões) e da ExxonMobil (8,9 milhões).
Depois, aparecem a Formosa Plastic (6,8 milhões), Ineos (6,6 milhões), a chinesa Sinopec (6,1 milhões), a saudita Sabic (6,1 milhões) e a francesa TotalFina (5,4 milhões). Por essa classificação, a Braskem apareceria na oitava colocação, com 4,7 milhões de toneladas de produção, à frente da Borealis (3,5 milhões). (Fonte: Valor Econômico)