Bolsa capta investidores para o setor plástico no Brasil
23/10/2006

Um ano e meio após dar início às operações de resinas plásticas, a London Metal Exchange (LME) tradicional bolsa de commodities metálicas - contabiliza cerca de 60 mil contratos negociados. O volume ainda é baixo, já que só em polipropileno 46 milhões de toneladas são comercializadas, no mercado físico, anualmente. Para reverter esse quadro e difundir a negociação de contratos de polietileno e polipropileno no mercado, a LME realiza o Fórum Internacional de Plásticos na Bolsa de Londres (Investplastic). Maior produtor de resinas da América Latina e oitavo maior produtor petroquímico mundial, o Brasil sediará pela segunda vez o evento, que será realizado em 10 de novembro, no Rio de Janeiro.

"As negociações evoluíram positivamente, mas os volumes comercializados ainda não refletem o nível de interesse que a indústria de plásticos tem demonstrado em entender e utilizar a nova ferramenta", diz Sebastian Castelli, responsável pelo desenvolvimento dos contratos da LME para PP (polipropileno) e PEBD (polietileno linear de baixa densidade) e pela análise dos mercados de mercadorias de plásticos na Societe Generale Corporate and Investment Banking em Londres. Ele destaca que somadas as negociações OTC (Over the Counter Contracts) feitas por bancos de investimento e não registradas, o volume transacionado chega ao dobro.

De acordo com Castelli, a participação dos países da América Latina na bolsa de plásticos ainda é pouco significativa, bem como a brasileira. "Tendo em vista o tamanho do mercado brasileiro, tanto do lado da produção quanto do consumo, o envolvimento de suas empresas é crucial", afirma. O BNDES calcula que a indústria petroquímica nacional deverá investir R$ 17,6 bilhões em novos projetos de primeira e segunda geração no período 2007-2010. O montante é 220% maior do que os R$ 5,5 bilhões investidos pelas empresas do setor de 2003 a 2006.

A LME trabalha com o gerenciamento de riscos através de uma proteção (hedge) ao vendedor e comprador, contra as turbulências do mercado. Os contratos fechados na London Metal Exchange refletem o preço internacional das resinas plásticas, definido pela oferta e demanda. "Dessa forma, a bolsa oferece segurança contra as oscilações do mercado, decorrentes, por exemplo, de desastres naturais e paradas para a manutenção de petroquímicas", afirma a responsável pela presença da LME no Brasil, Mariângela Guazelli.

Mercado spot, a novidade do Investplastic

A principal novidade doInvestplastic deste ano será a apresentação do chamado mercado spot - contratos a curto prazo que permitem negociações mais seguras e entregas imediatas, realizadas em até 48 horas. O lançamento de opções spot pretende abrir um leque maior aos atuais participantes desse mercado e captar outros. Para Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing da Suzano Petroquímica, isso amplia as possibilidades de habilitação da empresa na LME.

"A inclusão da opção spot era um dos pontos que considerávamos importantes para a melhora do atual sistema da LME. Outra questão a ser verificada é o número de grades ofertados pela bolsa. Hoje a Suzano tem entre 55 e 60 grades de PP, enquanto na LME apenas dois ou três são negociados para entregas físicas", explica. O fato de ter 85% de suas vendas voltadas para o mercado interno também é um limitador para a participação da Suzano Petroquímica na bolsa. Primeiro, pelo fato das negociações serem em moeda estrangeira, depois pela questão da armazenagem.

DEPÓSITOS. Atualmente a LME tem 16 depósitos localizados nas regiões de Houston, nos Estados Unidos, Antuérpia-Roterdã, na Holanda, e em Cingapura. "Quando além de contratos futuros são negociadas entregas físicas é preciso ter um armazém próximo ou fica difícil", diz Fittipaldi. A possibilidade de o Brasil abrigar um armazém não está descartada, embora a LME privilegie a instalação em áreas essencialmente consumidoras e não produtoras.

Sebastian Castell, pela análise dos mercados de mercadorias de plásticos na Societe Generale Corporate and Investment Banking em Londres, destaca que não apenas os setores petroquímico e plástico são afetados pela volatilidade dos preços das resinas e matérias-primas (como nafta e petróleo), mas também os consumidores finais desses produtos. Isso faz de setores como alimentos, higiene pessoal e automotivo potenciais participantes da bolsa. "As inscrições para o fórum evidenciaram o grande interesse do usuário final, com a inscrição de empresas como Renault, Johnson e Nestlé. Além de transformadores e distribuidores, fomos procurados até mesmo por redes de supermercado", afirma Mariângela.

A fabricante de embalagens Canguru, de Santa Catarina, foi a primeira empresa brasileira a divulgar sua atuação na negociação de resinas plásticas na Bolsa de Londres, em agosto deste ano. A opção foi justificada como forma de fugir da oscilação de preços motivada pela alta do petróleo e gás. As negociações na LME são anônimas e seus membros (bancos e brokers) negociam em nome de seus clientes. (Fonte: Jornal do Commercio Brasil)