Braskem retoma fabricação de insumos a partir do etanol
23/10/2006

Dentro de dois a três anos, a Braskem iniciará a produção comercial de eteno a partir do etanol. Além de permitir maior flexibilidade diante de alterações no preço da nafta, a opção de uso de fontes renováveis para produção de petroquímicos básicos como o eteno (insumo para a produção das resinas) permitirá à Braskem beneficiar-se da venda de créditos de carbono, segundo o diretor comercial da unidade de poliolefinas da Braskem, Marcelo Mancini Stella.
O produto, fabricado em uma planta piloto em Triunfo, será apresentado, em breve, a uma empresa sediada fora do Brasil que já manifestou interesse em comprá-lo e cujo nome não foi revelado.

A retomada da produção de eteno a partir da cadeira alcooquímica foi iniciada há cerca de quatro meses. O projeto resultará na produção de apenas alguns quilos de eteno fabricados a partir da cana de açúcar. “O objetivo é mostrar aos usuários finais que podemos fabricar produtos derivadas do etanol com a mesma qualidade que fabricamos a partir da nafta”, diz Mancini.

O executivo destaca que a continuidade do projeto já está garantida, mas que ainda há incertezas sobre as próximas etapas da iniciativa. “Ainda não sabemos quais resinas serão produzidas”, alerta. A fabricante do setor petroquímico também ainda não definiu o local onde será feita a produção comercial do insumo. A escolha está entre Bahia e a própria Região Sul, e levará em consideração a proximidade da planta junto ao fornecedor de cana de açúcar e aos clientes.

Para o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp, Carlos Eduardo Rossell, a região da Bahia apresenta maior potencial de produção de etanol do que o Rio Grande do Sul. “O etanol não é uma cultura tradicional daquela região”, ressalta.
O que há de concreto é que o projeto piloto da Braskem será concluído em breve e, dentro de dois ou três anos, chegará à escala de produção comercial. “Não temos dúvidas de que há clientes dispostos a pagar um pouco mais por um produto que traz as vantagens ambientais que o uso da cana de açúcar possibilita”, afirma.

Apesar de apontar a questão ambiental como um fator determinante para a utilização, por parte dos transformadores, da resina vinda do etanol, o diretor da Braskem ressalta que a questão de custo também pode se tornar bastante viável num cenário de mudança na relação de preço entre álcool e petróleo.

Para Rossell, da Unicamp, a elevação no preço do petróleo e da nafta certamente beneficiou o Brasil com relação à atração de investimentos no etanol. “Há uma corrente de grandes grupos estrangeiros interessados em saber como está a situação do etanol no Brasil”, destaca. Segundo o engenheiro químico, a cotação histórica do petróleo, na casa dos US$ 30, foi o principal entrave para o desenvolvimento de novos projetos na cadeia alcooquímica no passado.

O desenvolvimento da planta piloto da Braskem foi facilitado pelo fato de a empresa já ter desenvolvido essa tecnologia no passado. A experiência foi iniciada em 1981, em Alagoas, mas se tornou inviável devido à queda do preço do petróleo e à construção de um etenoduto petroquímico que ligava Camaçari (BA) a Maceió (AL). Inviabilizada economicamente, a produção de eteno a partir da cana foi desativada no início da década de 90. (Fonte: DCI)